O mundo do trabalho continua a mudar, impulsionado por novas expectativas dos profissionais, modelos laborais mais flexíveis e uma atenção crescente ao bem-estar. Neste contexto, surgem fenómenos que ajudam a explicar a forma como muitos colaboradores se relacionam hoje com as empresas, a carreira e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A Olisipo, empresa portuguesa especializada em recrutamento, outsourcing e formação na área das tecnologias de informação, identifica quatro tendências que estão a marcar o mercado de trabalho: burnout, boreout, quiet quitting e resenteeism.
Estas dinâmicas têm impacto direto na motivação, no bem-estar, no desempenho das equipas e na capacidade das organizações para reter talento.
Burnout: quando a pressão leva à exaustão
O burnout é caracterizado por um estado de exaustão física, emocional e mental, muitas vezes associado a níveis elevados de exigência, pressão constante e dificuldade em separar a vida profissional da vida pessoal.
Para as empresas, a prevenção passa por criar uma cultura que valorize o equilíbrio, o acompanhamento próximo das equipas e uma gestão sustentável das cargas de trabalho. A capacidade de identificar sinais de desgaste antes de se tornarem críticos pode ser determinante para proteger colaboradores e organizações.
Boreout: a desmotivação causada pela falta de desafios
O boreout surge quando os profissionais sentem ausência de desafios, poucas oportunidades de aprendizagem ou falta de propósito nas funções que desempenham.
Quando um colaborador sente que o seu potencial está subaproveitado, podem surgir sinais de desmotivação e afastamento progressivo em relação à organização. Para contrariar este fenómeno, a Olisipo aponta a criação de percursos de desenvolvimento e a atribuição de novos desafios como medidas relevantes.
Quiet quitting: cumprir apenas o essencial
O quiet quitting descreve a decisão de cumprir apenas as responsabilidades previstas, sem assumir tarefas adicionais ou demonstrar envolvimento extra com a empresa.
Esta tendência mostra a importância de ambientes de trabalho onde os colaboradores se sintam valorizados, reconhecidos e alinhados com os objetivos da organização. Mais do que uma recusa direta do trabalho, o fenómeno pode revelar quebra de ligação emocional com a empresa.
Resenteeism: ficar na empresa apesar da insatisfação
O resenteeism refere-se a colaboradores que permanecem na organização apesar de se sentirem insatisfeitos, frustrados ou sem perspetivas de evolução.
Esta realidade pode afetar o desempenho individual, o compromisso e o ambiente dentro das equipas. A comunicação transparente e a criação de oportunidades de crescimento são apontadas como formas de prevenir este tipo de afastamento silencioso.
Bem-estar, reconhecimento e propósito ganham peso
Paula Peixoto, diretora de People and Culture da Olisipo, afirma que estas tendências demonstram uma mudança na relação entre profissionais e organizações.
“Hoje, os colaboradores valorizam cada vez mais fatores como bem-estar, reconhecimento, desenvolvimento contínuo e sentido de propósito”, refere. A responsável sublinha que cada profissional tem o seu próprio perfil, pelo que as lideranças devem manter um acompanhamento próximo, compreender necessidades individuais e atuar de forma preventiva.













