“O nosso objetivo para Portugal é continuar a integrar grandes centros oftalmológicos na rede”, admite o CEO do Grupo Miranza

A oftalmologia afirma-se como um dos segmentos mais dinâmicos da saúde na Europa, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela inovação tecnológica e por uma procura crescente por cuidados especializados.

André Manuel Mendes

A oftalmologia afirma-se como um dos segmentos mais dinâmicos da saúde na Europa, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela inovação tecnológica e por uma procura crescente por cuidados especializados.

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Neste contexto, Portugal tem vindo a ganhar relevância no radar dos grandes grupos internacionais, combinando qualidade clínica, talento médico e um mercado com características muito semelhantes às de outras geografias europeias maduras.

É neste enquadramento que a Miranza, um dos maiores grupos de oftalmologia da Península Ibérica, decidiu reforçar a sua presença em Portugal, com a integração de clínicas no Porto e em Guimarães.

Em entrevista à Executive Digest, Rámon Berra, CEO do Grupo Miranza, explica os fatores estratégicos que sustentaram a entrada no mercado português, o potencial de crescimento da oftalmologia no país e os objetivos do grupo para os próximos anos-

 

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O que levou a Miranza a apostar em Portugal? É um mercado interessante para este setor?

Desde os primórdios da Miranza, sempre vimos Portugal como um mercado estratégico para nós e sempre tivemos o objetivo de entrar nele. Trata-se de um país com uma situação demográfica e económica muito semelhante à de Espanha; e na área da oftalmologia ambos os países partilham numerosos pontos em comum – por exemplo, no que respeita à prática clínica, à formação e aos padrões de qualidade. Isto sempre fez de Portugal um mercado muito atrativo e natural para o nosso modelo de crescimento.

 

Quais foram os critérios para escolher as primeiras clínicas no Porto e em Guimarães?

A nossa estratégia sempre foi incorporar clínicas de qualidade elevada e comprovada, lideradas por médicos de prestígio e com forte reconhecimento local. O Porto, enquanto uma das principais cidades do país, foi um passo lógico na nossa implementação inicial. Já Guimarães dá resposta a uma estratégia de crescimento progressivo e sustentado num mercado do nosso interesse (a chamada “estratégia da mancha de óleo”), privilegiando a solidez e a continuidade.

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Como vê o potencial de crescimento da oftalmologia em Portugal nos próximos anos?

Vemos um potencial de crescimento mesmo muito significativo. A evolução demográfica, marcada pelo envelhecimento da população, juntamente com o elevado nível e prestígio dos oftalmologistas portugueses, gera um contexto muito favorável ao desenvolvimento do setor nos próximos anos.

 

A integração de clínicas onde os médicos são também proprietários apresenta desafios específicos. Como abordaram este processo?

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Este modelo faz parte do ADN da Miranza desde a sua origem. Temos uma vasta experiência na integração de clínicas nas quais os oftalmologistas mantêm um papel de destaque, tanto na gestão como na tomada de decisões clínicas. A chave está no alinhamento de valores, no respeito pela autonomia médica e na criação de estruturas de apoio que permitam aos profissionais focarem-se na sua evolução e na excelência da assistência aos pacientes.

 

Considera a oftalmologia um dos setores de saúde mais dinâmicos da Europa? Quais são os fatores que o tornam estratégico?

Sem dúvida. A oftalmologia é uma especialidade com uma procura crescente e sustentada. A cirurgia de cataratas, por exemplo, é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentes em toda a Europa. Para além disso, trata-se de uma especialidade eminentemente ambulatória e que tem registado uma evolução tecnológica e inovadora espetacular nos últimos anos – e com muito caminho por onde seguir.

 

Que objetivos concretos definiram para Portugal no próximo ano?

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O nosso objetivo para Portugal é continuar a integrar grandes centros oftalmológicos na rede Miranza, sempre que surjam oportunidades – como as do Porto e Guimarães em 2025 – que cumpram os critérios de qualidade e excelência médica e apresentem alinhamento cultural com o nosso modelo.

 

Que novas áreas de serviço ou especialidades podem surgir em 2026 na Miranza?

Em 2026, na Miranza continuaremos a desenvolver áreas de especialização que têm vindo a ganhar um peso crescente, como as nossas unidades de tratamento avançado do olho seco e as unidades de Estética do Olhar. A nossa atividade é sempre complementada. por programas de formação e sensibilização dirigidos a profissionais de saúde e doentes, com o objetivo de consolidar uma cultura preventiva e uma abordagem integral aos cuidados da visão. Por outro lado, enquanto Grupo, daremos um passo relevante no desenvolvimento de projetos próprios de aplicação diagnóstica baseados em inteligência artificial, que vão permitir melhorar a precisão diagnóstica, impulsionar a formação científica e os estudos clínicos, bem como otimizar e agilizar processos internos.

 

Como vê a evolução do mercado europeu de saúde ocular nos próximos anos e o papel da Miranza neste contexto?

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O mercado europeu da saúde ocular vai continuar a crescer, impulsionado por fatores demográficos, por uma maior sensibilização sobre a saúde visual e pelos avanços tecnológicos. Neste contexto, na Miranza vamos continuar a consolidar a nossa liderança em Espanha e Portugal, reforçando um modelo assente na qualidade clínica e na liderança médica. A nível europeu, iniciativas como a Veonet – rede de grupos oftalmológicos de vários países da Europa, da qual fazemos parte – permitem partilhar conhecimento, boas práticas e visão estratégica entre os líderes de oftalmologia do continente. Tudo isto contribui para um trajeto positivo de evolução e crescimento, do qual certamente faremos parte.

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