O julgamento do hacker português, Rui Pinto, começa na próxima sexta-feira, dia 4 de Setembro e promete medidas de segurança máxima, não fosse este o «julgamento do século», de acordo com a presidente da Comarca de Lisboa, Amélia Almeida, citada pelo ‘Jornal de Notícias’ (JN)
Apesar de ainda não serem conhecidas em concreto as medidas de segurança aplicadas, Amélia Almeida refere que a imprensa internacional estará de olhos postos no acontecimento, de forma nunca antes vista. «Não há nenhum processo tão mediático como este», afirma a responsável revelando que teve de pensar numa alternativa para conseguir que tanto o público como jornalistas portugueses e estrangeiros assistissem ao julgamento.
A pandemia da Covid-19 veio dificultar ainda mais a situação, mas a magistrada acabou por optar por uma transmissão por videoconferência para um outro espaço de Lisboa, que ainda não é conhecido. A alternativa seria marcar o julgamento para um sala maior, fora dos tribunais, no entanto por motivos de «segurança» para os intervenientes esta solução não era viável, mantendo-se então no Campus da Justiça.
Recorde-se que Rui Pinto, que entrou em Portugal em Março de 2019 e esteve preso durante cerca de um ano e meio, por alegados crimes informáticos, está agora em liberdade, depois de ter sido autorizada a suspensão do seu processo num «acordo inédito» da Justiça portuguesa, em que o hacker conseguiu ser libertado como arguido e simultâneamente como testemunha protegida.
A colaboração «essencial» de Rui Pinto foi um dos argumentos utilizados pelo director da Polícia Judiciária (PJ) e do DCIAP, para sensibilizar o tribunal que o vai julgar e amenizar a sua decisão. A informação que o hacker tem pode ser «determinante» para a Justiça, em alguns casos, desde o futebol, passando por Isabel dos Santos, até ao caso BES.
Rui Pinto começa a ser julgado a 4 de Setembro por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.
O criador da plataforma Football Leaks e responsável pelo processo Luanda Leaks, em que a Isabel dos Santos é a principal visada, está em liberdade, por decisão da juíza Margarida Alves, encontrando-se agora inserido no programa de protecção de testemunhas em local não revelado e sob protecção policial, por questões de segurança.



