Os Mundiais costumam trazer memórias de golos impossíveis, lágrimas, surpresas e estádios em ebulição. Em 2026, tudo isso regressa. Mas desta vez haverá também outro protagonista improvável a circular pelos bastidores do torneio: robôs.
O próximo Mundial FIFA, marcado para arrancar a 11 de junho, será histórico por vários motivos. Será o primeiro disputado em três países ao mesmo tempo — Estados Unidos, México e Canadá — e também o maior de sempre em dimensão e logística. No meio dessa máquina gigantesca, a Hyundai quer levar para o torneio algo que até há pouco tempo pertencia mais à ficção científica do que ao futebol: tecnologia robótica em grande escala.
A marca sul-coreana, patrocinadora oficial da prova, confirmou que os modelos Atlas e Spot, desenvolvidos pela Boston Dynamics, estarão presentes durante a competição.
Do laboratório para o Mundial
Para quem não segue este universo, Atlas é um dos robôs humanoides mais conhecidos do mundo. Capaz de correr, saltar, equilibrar-se e executar movimentos complexos, tornou-se famoso por vídeos em que parece aproximar-se cada vez mais da agilidade humana.
Já Spot tem quatro patas e uma aparência que lembra um cão mecânico. É usado em inspeções industriais, vigilância, mapeamento e tarefas em ambientes difíceis.
Agora, ambos vão trocar fábricas e centros de testes pelo maior palco do futebol mundial.
O que vão fazer?
A Hyundai ainda não revelou em detalhe todas as funções, mas adiantou que os robôs serão usados em zonas específicas para melhorar operações de jogo, reforçar segurança, aumentar eficiência logística e criar experiências para adeptos.
Traduzido para a linguagem do torneio, isso pode significar apoio na gestão de multidões, assistência em áreas técnicas, ações interativas com fãs, transporte de materiais ou presença promocional nos recintos.
Ou seja: não deverão marcar golos, mas podem acabar a ser dos elementos mais fotografados da competição.
Um Mundial como nunca houve
O Mundial de 2026 já seria especial mesmo sem robôs. Será o primeiro realizado em três países e o primeiro com 48 seleções, aumentando o número de jogos e a complexidade de toda a operação.
O México tornar-se-á no primeiro país a receber três Mundiais diferentes. Os Estados Unidos organizam pela segunda vez, enquanto o Canadá se estreia como anfitrião.
Só essa dimensão já exigiria uma logística enorme. Com milhares de profissionais envolvidos, deslocações constantes entre cidades e multidões a circular, o torneio será também um enorme teste tecnológico.
É precisamente aí que entra a Hyundai.
Carros, máquinas e espetáculo
Além dos robôs, a marca continuará a assegurar aquilo que já é habitual nestas grandes competições: fornecimento de veículos para transporte de dirigentes, equipamentos e imprensa entre as várias sedes.
Mas desta vez quer ir mais longe. A campanha criada para o torneio chama-se “Next Starts Now”, algo como “o próximo começa agora”, e o objetivo é claro: ligar futebol, mobilidade e futuro numa só narrativa.
A empresa promete experiências imersivas para adeptos e novas formas de viver o evento. E escolheu também Son Heung-min, estrela sul-coreana e nome global do futebol, como rosto dessa estratégia.
O futebol encontra o futuro
Há qualquer coisa de simbólico nisto tudo. Durante décadas, os Mundiais foram vitrinas do talento humano no estado mais puro: velocidade, técnica, improviso, emoção. Em 2026 continuarão a ser isso.
Mas serão também uma montra do que está a mudar fora das quatro linhas.
Enquanto os jogadores disputam cada bola, máquinas capazes de andar, observar, ajudar e interagir poderão circular pelos corredores, zonas técnicas e espaços de adeptos.
Talvez o próximo grande momento viral do Mundial não venha de um remate de longe. Talvez venha de um robô a cumprimentar adeptos, a patrulhar uma bancada ou até a imitar um craque com bola nos pés.
Seja como for, uma coisa já parece certa: no Mundial de 2026, nem todas as estrelas terão coração a bater.






