O Homem das Cavernas e a Gestão de Talento

Por Carla Madeira e Marco Teixeira, Business Unit Managers da Axians Portugal

Desde os primórdios da existência humana que se conhecem exemplos de gestão de pessoas e gestão de talento. Numa fase inicial, os líderes, nas cavernas, preparavam e motivavam os melhores caçadores, ou até lutadores para que a sua tribo pudesse fortalecer e expandir-se. Mais tarde, surgindo mais “afazeres” numa sociedade mais evoluída, foi necessário desenvolver mais competências, logo mais talentos tiveram de ser geridos e promovidos. Construtores, curandeiros, agricultores… são só alguns dos trabalhos descritos nos livros de história.

Naturalmente, os talentos e as pessoas foram evoluindo ao longo dos tempos, tendo sempre em consideração as necessidades especificas da sociedade em cada momento.

A análise a estas fórmulas de gestão carece de um pensamento holístico das variáveis envolvidas em cada instante. O gestor, os implicados por esse gestor, o meio e as condicionantes em que se insere. Existem variadíssimos textos de pensadores e investigadores, que se debruçam sobre os tipos de gestão e liderança. Gestão autocrática, meritocrática, democrática, visionária, laissez-faire ou de coaching e desenvolvimento, as abordagens multiplicam-se. Nenhuma está errada ou certa. Cada uma teve, ou tem, o seu tempo e o seu contexto.

As variáveis envolvidas no processo de liderança são sempre tantas que a palavra de ordem na gestão de pessoas e talento é mesmo: adaptação.

Hoje vivemos um contexto particularmente exigente, em que um gestor de pessoas e talentos deve, em primeira instância, ter um perfeito autoconhecimento das suas competências, emoções e empatia. Essa será a base mínima exigível para um bom líder. Potenciar o melhor de cada um, tendo a certeza de que o que hoje move as pessoas será diferente amanhã, só é possível com um grau de adaptabilidade muito apurada dos gestores, sem nunca abrir mão de princípios e valores humanistas.

Ainda hoje, cada gestor procura o melhor para a sua tribo procurando expandir-se e fortalecer-se. Na base, o que nos move parece ter muitas semelhanças com os primórdios, o que hoje deve ser diferente são os princípios e respeito ao próximo que balizam o comportamento dos gestores.

Em contextos mais adversos em que o mundo se insere atualmente, como o da incerteza na liberdade e segurança de muitos, ora pelas catástrofes de saúde pública e climáticas, ora pelos constrangimentos económico-sociais próprios de cada geografia, ou ainda pela sobre-exposição ao cibercrime e quebras de privacidade, só resta a cada líder adaptar-se, encarando a realidade desafiante em que se insere.

Isto pode significar, no caso dos países desenvolvidos, a humanização cada vez mais premente do trabalho e a profunda responsabilização para com o outro, com uma preocupação ativa no impacto que tem as suas ações no próximo. Ou, nos países mais subdesenvolvidos, liderar os seus para um processo de transformação e, simultaneamente, de sensibilização do resto do mundo, que ninguém pode, nem deve, ficar para trás. Afinal, nunca foi tão verdade, e facilmente comprovável, que um bater de asas de uma borboleta de um lado do mundo poderá ser um grande tornado no outro extremo do planeta.

Em suma, gerir pessoas e talentos é um processo de constante adaptação e de profunda responsabilidade social, para que em cada momento, em função da conjuntura especifica possamos entregar o melhor de cada um. Distante estará o homem das cavernas e a ferocidade estimulada pela sobrevivência no desconhecido selvagem, mas a urgência pela agilidade, adaptabilidade, e, principalmente, pelo ativismo na humanização da liderança das pessoas e do seu talento, é fundamental.

 

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