O hábito “saudável” que pode tirar anos de vida, segundo especialistas em longevidade

A principal recomendação consiste em evitar o excesso, diversificar as fontes e manter uma dieta equilibrada, rica em alimentos de origem vegetal.

Executive Digest

As dietas ricas em proteína tornaram-se populares entre quem procura preservar a massa muscular, controlar o peso e envelhecer com mais saúde. No entanto, especialistas em longevidade alertam que o consumo excessivo de proteína de origem animal pode produzir o efeito contrário e contribuir para acelerar o envelhecimento.

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A proteína continua a ser um nutriente essencial, sobretudo à medida que a idade avança. Suzanne J. Ferree, médica especializada em medicina familiar, antienvelhecimento e regenerativa, explicou ao HuffPost que os adultos mais velhos podem precisar de uma ingestão superior à dos mais jovens, uma vez que o organismo perde naturalmente massa muscular com o passar dos anos.

As necessidades variam consoante a saúde e as características de cada pessoa. Como referência, a agência americana responsável pela regulação dos alimentos e medicamentos aponta para cerca de 50 gramas diários numa alimentação de 2.000 calorias. O problema surge quando esse valor é largamente ultrapassado e a maior parte da proteína consumida provém de carne, lacticínios e ovos.

Excesso de proteína animal pode acelerar o envelhecimento

Monisha Bhanote, médica e especialista em longevidade, considera um erro acreditar que quanto maior for a ingestão de proteína, melhor será a saúde. Segundo explicou ao HuffPost, muitas pessoas acabam por consumir produtos de origem animal em excesso, na convicção de que isso é indispensável para manter os músculos e prolongar a vida.

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Nos Estados Unidos, o consumo médio ronda os 100 gramas de proteína por dia, o dobro da recomendação indicada. Cerca de três quartos da população cumpre ou ultrapassa as orientações relativas à ingestão de carne, aves e ovos.

Bhanote associa os possíveis efeitos negativos da proteína animal a dois tipos de compostos: os produtos finais de glicação avançada, conhecidos pela sigla AGE, e o N-óxido de trimetilamina, ou TMAO.

Os AGE formam-se quando proteínas ou gorduras se combinam com açúcar na corrente sanguínea. Alimentos de origem animal preparados na grelha, fritos ou assados podem apresentar níveis mais elevados destes compostos.

Com o tempo, os AGE podem acumular-se nos tecidos e favorecer o stress oxidativo e a inflamação, dois processos associados ao envelhecimento celular. Segundo a especialista, estes compostos podem danificar proteínas, ADN e outras estruturas celulares, contribuindo para doenças como diabetes, problemas cardiovasculares e Alzheimer.

Composto associado a doenças cardiovasculares

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Já níveis elevados de TMAO têm sido relacionados com um maior risco de aterosclerose, enfarte e acidente vascular cerebral. Bhanote explica que este composto pode favorecer a acumulação de colesterol nas artérias e dificultar a sua remoção pelo organismo.

O processo poderá aumentar a inflamação e agravar os danos no sistema cardiovascular, com consequências para a saúde do coração, o funcionamento das células e a longevidade.

Raghav Sehgal, investigador da Universidade de Yale dedicado ao envelhecimento humano, alerta também para o perigo das dietas que prometem resultados rápidos. Entre os exemplos encontra-se a dieta cetogénica, que reduz fortemente os hidratos de carbono e privilegia o consumo de gordura e proteína.

Neste tipo de regime, carne e ovos ocupam frequentemente um lugar central. O problema, segundo os especialistas citados, é que uma ingestão muito elevada destes alimentos poderá anular parte dos benefícios procurados.

Proteínas vegetais e peixe surgem como alternativas

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A recomendação dos especialistas passa por dar maior protagonismo às proteínas de origem vegetal e ao peixe. Feijão, lentilhas, grão-de-bico, soja, frutos secos e sementes fornecem proteína, fibras, antioxidantes e outros nutrientes associados à saúde cardiovascular.

Estes alimentos podem ajudar a reduzir a inflamação e o risco de doenças crónicas. Bhanote acrescenta que as proteínas vegetais apresentam naturalmente menos AGE e não contribuem para a produção de TMAO da mesma forma que determinados alimentos de origem animal.

Estudos referidos no artigo indicam que dietas com maior presença de proteínas vegetais estão associadas a uma redução do risco de morte por doenças cardiovasculares e por outras causas. A substituição de parte da proteína animal por fontes vegetais poderá, por isso, favorecer a longevidade.

O peixe também é distinguido da carne devido à sua composição nutricional. O consumo regular de pescado foi associado a uma redução de 12% no risco de morte prematura. Os peixes ricos em proteína e gorduras insaturadas podem apoiar a saúde cerebral, o equilíbrio hormonal e o controlo da inflamação.

Apesar de a maioria dos americanos consumir carne, aves e ovos em quantidade suficiente ou excessiva, cerca de 90% não cumpre as recomendações relativas ao consumo de produtos do mar.

Os especialistas não defendem a eliminação da proteína da alimentação. Pelo contrário, reforçam que este nutriente é indispensável e assume particular importância com o envelhecimento. A principal recomendação consiste em evitar o excesso, diversificar as fontes e manter uma dieta equilibrada, rica em alimentos de origem vegetal.

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