O mundo pode perder cerca de metade das suas melhores terras de cultivo de café num cenário de mudança climática moderada. O Brasil, atualmente o maior produtor de café do mundo, está em risco de ver as suas terras mais adequadas para o cultivo do café diminuírem em 79%, segundo apontou um estudo realizado por cientistas na Suíça, que avaliou os impactos potenciais das mudanças climáticas no café, caju e abacate – os três dos quais importantes culturas comercializadas globalmente produzidas principalmente por pequenos agricultores nos trópicos.
Dos três, o café é o mais importante, com uma receita esperada de cerca de 412,19 mil milhões de euros, ao passo que o abacate, com 11,65 mil milhões de euros, e caju, com 5,38 mil milhões de euros, seguem noutro patamar.
A principal conclusão do novo estudo é que as mudanças climáticas previstas vão provavelmente resultar em declínios significativos na quantidade de terra adequada para o cultivo dessas culturas em algumas das principais regiões onde atualmente ‘reinam’ – uma alteração que pode afetar tanto os produtores como consumidores em todo o mundo.
Uma inovação importante no estudo é examinar os parâmetros da terra e do solo, além de fatores puramente climáticos, como temperatura e padrões de chuva, o que permitiu uma visão mais subtil de impactos futuros que podem alterar significativamente a adequação de algumas regiões tropicais para o cultivo de certas culturas, devido a mudanças em fatores como o PH ou textura do solo.
Assim, algumas zonas da China, Argentina e Estados Unidos poderão tornar-se mais adequadas ao cultivo do café, ao passo que no Brasil e Colômbia veem as tuas terras tornarem-se menos adequadas. Será por isso necessário uma adaptação às mudanças em curso nos trópicos, por exemplo, mudando o cultivo de culturas específicas para diferentes regiões no qual os impactos climáticos serão mais benignos. Mas, nesta altura, parece provável que muitas culturas tropicais vão tornar-se mais escassas, o que vai querer dizer mais caras no futuro.


