Empresa espanhola quer transformar Portugal num hub de telemedicina e robótica

Para o chairman da espanhola Atrys Health a escolha por Portugal foi clara. “Sabíamos que aqui há bons profissionais, profissionais de excelência. É muito fácil arranjar máquinas para tratamentos e diagnóstico, mas é difícil encontrar pessoas”, explica Torres Sanahuja.

Fábio Carvalho da Silva
A Atrys Health, um gigante espanhol da saúde, pisou Portugal para se expandir ainda mais para o mundo lusófono. A empresa adquiriu dois grandes grupos do mesmo setor: a Lenitudes, e a Genetyca ICM, que realiza mais de três mil testes genéticos por ano. O objetivo é claro: criar uma rede de telemedicina semelhante à que há existe no mercado espanhol e na América Latina, mas na lusofonia, com um foco especializado na oncologia.

Para o chairman, Santiago de Torres Sanahuja, antigo diretor geral do Ministério da Saúde espanhol, a escolha por Portugal foi clara: “Queríamos a expansão europeia, mas sobretudo sabíamos que aqui há bons profissionais, profissionais de excelência, É muito fácil arranjar máquinas para tratamentos e diagnóstico, mas é difícil encontrar pessoas”, explica.

Confrontado se a carga fiscal do país, ou a burocracia não impediu a operação, Santiago de Torres Sanahuja avançou que “não tivemos problemas”.

Depois do celebrado o negócio, o CEO foi recebido há três semanas pela ministra da Saúde, Marta Temido, que fez questão de saber quais “seriam as nossas estratégias em Portugal”. Questionado pela Executive Digest  se, durante o encontro, não foi discutido uma possível parceria, o executivo adiantou apenas “que gostaríamos muito de o fazer, como aliás já realizamos de forma geral em Espanha”, sem adiantar mais detalhes.

Para explicar o projeto, o executivo recorreu a um exemplo: “Nós vamos para lá da telemedicina, com um médico online, nós também trabalhamos com exames e diagnóstico. Se alguém faz um exame em Espanha ao final da tarde, não precisa de esperar pelo dia a seguir para o ter, pode ser enviado para a Colômbia onde é de tarde, durante a noite, no horário de Madrid, e consegue os resultados no próprio dia”, esclareceu.

A empresa quer fazer o mesmo nas comunidades lusófonas e no interior do território nacional. “Há muito poucos especialistas em Angola, e os que há, acabam por emigrar, para o Brasil ou para Portugal. Assim com esta tecnologia, um médico que está em Lisboa pode atender um paciente em Luanda”. Torres Sanahuja quer replicar este sistema para o território nacional de forma a atender regiões, como o Alentejo, onde faltam profissionais de saúde.

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Questionado sobre qual  a sua opinião sobre a gestão do big data e a utilização da inteligência artificial nas consultas online, através da constituição de um robot, o CEO, da maior empresa de telemedicina do mercado castelhano, lembrou que o “big data é cada vez mais importante, os médicos tem de se aliar aos matemáticos, ainda que tenha de ser uma digitalização humanista”.

O executivo avançou ainda que a empresa já tem um sistema de IA automático que, no caso dos eletrocardiogramas para pacientes não doentes, um “robot” verifica se o exame está dentro dos parâmetros. Se estiver dentro, “a pessoa é chamada a vir a outro exame de rotina, dentro de um ano, senão é encaminha para um especialista”, explicou o responsável.

Santiago de Torres Sanahuja  adiantou ainda que a companhia pretende alargar este método para outras áreas, como aos exames de oftalmologia, de rotina para diabéticos, entre outras situações.

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