O futuro chegou. E precisamos aceitar isso

Esta frase tem sido repetida ao longo dos tempos em diferentes contextos e diferentes realidades. Sem dúvida que o momento que vivemos hoje permite reforçar a sua relevância. Senão vejamos: esta é já a terceira década do século. E se a primeira década não nos deixou muitos aprendizados, já o mesmo não se pode dizer da segunda década (2010-2020) que nos deixou com um legado inequívoco da mudança que estamos vivendo. Foram eles o advento dos smartphones, a designada 4ª Revolução Industrial e infelizmente o conhecido Covid-19. Três fenómenos que iniciaram uma transformação que se estabelece e fortalece nesta década que agora se iniciou. E isso reflete a absoluta necessidade de pensar o futuro, pela lente do presente, de forma pragmática.

A gestão das empresas tem sido fortemente influenciada pelos princípios de gestão criados na 2ª Revolução Industrial, princípios esses baseados na produção em massa, que se alcançava graças ao conceito de divisão de tarefas e ao uso da energia elétrica. Desde essa altura que as regras de funcionamento das empresas (com os normais ajustes) não sofreram alterações significativas.

Por dois séculos, a gestão foi baseada na hierarquia de decisões e funções, com elevado foco na cadeia de valor e atenção máxima ao produto. Apesar das mudanças iniciadas na década passada e que nos brindaram com a chamada transformação digital, as empresas têm resistido a alterar o seu modo de atuar e de pensar.

Vivemos a maior transformação da história da humanidade suportada em duas grandes revoluções:

  1. Revolução tecnológica: resultante da evolução exponencial de Machine Learning, Inteligência Artificial e Conectividade Permanente;
  2. Revolução biológica: Baseada nos avanços em biologia e neurociência.

Os próximos anos serão decisivos na mudança dos modelos de negócio e na forma de atuar no mercado. Os grandes desafios passam por:

  1. Saber gerir a complexidade e a ambiguidade, que será o fator de maior impacto na forma como trabalharemos nos próximos 10 anos;
  2. Os ciclos de aprendizagem serão mais curtos e cada vez mais importantes para a sobrevivência e para o sucesso e, portanto, a gestão da informação ganha importância adicional.

Um novo modelo de gestão emerge agora, nesta década, focado em novas regras e suportado por novas variáveis de funcionamento, orientando o olhar para o cliente, utilizando para tal as abordagens emergentes da inovação, digitalização e agilidade. É nesse cenário que se identificam os 4 eixos estratégicos da gestão e das empresas do futuro. São eles:

  1. Pessoas: Líderes presentes que orientam e acompanham de perto o desenvolvimento e a performance de seus liderados; Colaboradores com elevada capacidade de adaptação ao novo e que se reinventam rapidamente.
  2. Tecnologias: Soluções tecnológicas alinhadas às necessidades; IoE | Internet of Everything – tudo conectado; EaaS | Everything as a Service – elevada disponibilidade de soluções por assinatura; Conectividade, mobilidade e digitalização para facilitar acesso e compartilhamento.
  3. Informação (data): Gestão da informação e do conhecimento (data) como o maior ativo (asset) dos negócios; Atualização constante dos níveis de informação sobre a cadeia de valor para atuação em tempo real (realtime).
  4. Plataforma/Ecossistema: Construção de ecossistemas integrados de gestão para melhor entrega e diferenciação no mercado; Adoção de sistemas que se ajustem ao contexto dos clientes e demais players; Integração das funções com transição para um sistema empresarial com o mínimo de silos; Plataformas capazes de incorporar pessoas e tecnologias, automatizando os processos.

A transição de modelos de gestão (do Clássico para o Futuro) faz-se presente e requer uma jornada de transformação profunda, que atua de ponta a ponta na empresa redesenhando e redefinindo todas as regras e formas de atuar até aqui praticadas. Nos acostumámos a um certo nível esperado de estabilidade que agora já não é mais sinónimo de sucesso. Quem não adotar uma nova forma de atuar, um novo modelo de gerir o seu negócio, terá grandes dificuldades de sobrevivência na próxima década e no futuro. O maior desafio que provavelmente enfrentaremos é a tensão entre a vontade de voltar ao passado e um novo normal que se afigura no futuro, ao ter de se adotar uma nova realidade. Mas essa realidade, esse futuro, chegou.

Por Luís Rasquilha, CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem

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