O recente estudo italiano que sugere que o novo coronavírus estava a circular fora da China em setembro de 2019, ou seja antes do suposto começo da pandemia no país, tem causado muitas dúvidas na comunidade cientifica, com alguns especialistas a pedir que sejam feitos mais testes, avança a ‘Reuters’.
Um artigo publicado pelo Instituto Italiano do Cancro (INT) descreve a presença de anticorpos neutralizantes para SARS-CoV-2 em sangue recolhido de pacientes saudáveis em Itália, em setembro do ano passado, durante um teste de rastreio de cancro no pulmão.
Supostamente, o patógeno foi identificado pela primeira vez na cidade de Wuhan, no centro da China, em dezembro de 2019, mas se estes dados estiverem corretos, podem alterar a história da pandemia e levantar sérias questões sobre quando e onde o vírus surgiu.
No entanto, vários cientistas citados pela Reuters mostram-se reticentes às novas descobertas, tendo ainda muitas dúvidas e dizendo que são necessários mais tetes, para comprovar a veracidade destas novas conclusões.
«Vale a pena relatar estes resultados, mas, na maioria das vezes, devem ser considerados como algo a ser seguido por mais testes», disse Mark Pagel, professor na Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Reading, no Reino Unido.
O responsável acrescenta: «Todos os pacientes do estudo eram assintomáticos, apesar de a maioria ter entre 55 e 65 anos e ser fumador. Este normalmente seria considerado um grupo de alto risco para COVID-19, por isso é intrigante o porquê de nenhum apresentar sintomas».
Um dos co-autores do estudo italiano revelou que tanto ele como os seus colegas estavam a planear novas investigações, apelando a que cientistas de todo o mundo contribuam.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o novo coronavírus era desconhecido antes do surto de Wuhan ser relatado. Mas sublinhou que a possibilidade de que o vírus possa ter «circulado silenciosamente em outro local» não pode ser descartada.
A Covid-19 já infetou mais de 55,7 milhões de pessoas, causando também 1,3 milhões de vítimas mortais em 191 países e territórios, segundo a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.



