A segunda tempestade de areia em 15 dias que atingiu a China, mais concretamente Pequim, inverteu as cores do céu e do sol, com o primeiro a tornar-se amarelo e o segundo azul, de acordo com o ‘The Guardian’.
Pequim acordou na manhã de domingo envolta numa poeira espessa com níveis extremamente altos de partículas perigosas. A tempestade de areia foi alimentada pelos ventos da Mongólia e do noroeste da China.
Blue sun in Beijing’s sand storm today. The left pic is the Forbidden City and the right pic is CBD pic.twitter.com/5CbDFHHjNZ
— ZhouLeiArt (@ZhouLeiArt) March 28, 2021
A visibilidade da cidade foi reduzida, com topos de alguns arranha-céus obscurecidos pela tempestade de areia. As pessoas foram obrigados a cobrir os olhos quando rajadas de poeira invadiram as ruas.
A Administração Meteorológica da China emitiu um alerta amarelo na sexta-feira, a avisar que uma tempestade de areia estava a espalhar-se vinda da Mongólia para as províncias do norte da China, incluindo Mongólia Interior, Shanxi, Liaoning e Hebei, que cercam Pequim.
Quando a tempestade de areia atingiu Pequim na manhã de domingo, os níveis de poluição do ar subiram para um máximo de 500, de acordo com o índice de qualidade do ar em tempo real da cidade. Os níveis do poluente PM10, que podem instalar-se nos pulmões, sendo perigosos para a saúde, ultrapassaram as duas mil microgramas por metro cúbico.
Já os níveis de PM2,5, partículas menores que podem instalar-se na corrente sanguínea, chegaram a 462. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda concentrações médias diárias deste poluente de apenas 25, o que mostra que o valor está bem mais acima do aconselhável.
A tempestade causou estragos nos aeroportos da Mongólia Interior, com mais da metade dos voos cancelados nos aeroportos de Baotou e Chifeng devido à pouca visibilidade, segundo o South China Morning Post.
A Administração Meteorológica da China disse que as recentes tempestades de areia tiveram origem na Mongólia, devido às temperaturas relativamente mais altas nesta primavera e à redução da chuva, segundo Zhang Tao, diretor de previsões do Observatório Meteorológico Central da China.
Zhang explicou que o norte e o noroeste da China registaram menos neve e chuva este ano e que as temperaturas desde fevereiro têm sido mais altas, levando a um clima mais seco e empoeirado, impulsionado por ventos mais fortes do que o normal.
As temperaturas médias na Mongólia e no norte da China foram cerca de seis graus mais altas do que o normal em março, de acordo com Zhang. O norte da China tem sofrido tempestades de areia à medida que os desertos na região se espalham mais ao sul.














