O desenvolvimento sustentável como cultura

Opinião de Filipe Ferreira, Chief Sustainability Officer do Grupo Vicaima e Administrador da Vicaima Indústria

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Filipe Ferreira
Filipe Ferreira Chief Sustainability Officer do Grupo Vicaima e Administrador da Vicaima IndústriaSetembro 25, 2026 9:00

Por Filipe Ferreira, Chief Sustainability Officer do Grupo Vicaima e Administrador da Vicaima Indústria

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Nunca, como hoje, a sustentabilidade assumiu um papel tão relevante no contexto social e organizacional. À medida que as alterações climáticas se tornam uma realidade cada vez mais presente e preocupante, impactando o bem-estar e a segurança de pessoas e comunidades em todo o mundo, o investimento no desenvolvimento sustentável- ambiental, económico e social-transita inevitavelmente da esfera das intenções para o plano das ações, cada vez mais urgentes e concretas.

No entanto, para que uma organização tenha um papel verdadeiramente transformador e contribua ativamente para essa missão coletiva, as ações precisam de transcender a vertente operacional e assumir-se como uma consequência da cultura e dos valores da própria organização.

A sustentabilidade, enquanto valor, atravessa toda a estrutura organizacional. E como parte da cultura empresarial, reflete-se em toda a sua atividade, nas suas decisões, nas suas pessoas e nas suas comunidades.

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Já não falamos de responsabilidade ambiental e social, mas de uma cultura orientada pelo respeito pelo planeta e todos os que nele vivem e, consequentemente, comprometida, de forma prática e tangível, com o futuro de todos. Neste plano, já não se comunica nem pratica sustentabilidade: age-se de forma sustentável, ao longo de toda a cadeia de valor.

A atividade transforma-se em influência positiva, gerando impacto que transcende a sua operação e âmbito, inspirando outros a assumirem esta missão como parte integrante do seu dia-a-dia. De uma forma realista, com passos concretos de melhoria contínua, que demonstram a toda a sociedade que a mudança é possível.

Na prática, uma cultura orientada não para, mas pela sustentabilidade, traduz-se na definição de metas claras e mensuráveis, com foco tangível no bem-estar, na inclusão, na equidade e no desenvolvimento de pessoas – dentro e fora da organização.

É visível na eficiência energética, na redução e valorização de resíduos, na inovação de produtos e processos, numa cadeia de fornecimento mais responsável; e, sobretudo, na mobilização das pessoas, para que cada decisão quotidiana reforce esse compromisso.

E é essa consistência entre propósito, gestão e execução, ancorada num propósito comum a toda a organização, que gera resultados reais e duradouros.

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O Dia Nacional da Sustentabilidade, instituído em Portugal em 2023 de forma coincidente com a data de adoção dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pelas Nações Unidas, coloca em evidência não só a importância de integrarmos o compromisso com estas metas na nossa estrutura de valores, como também o papel do tecido empresarial português no contributo para a construção de um país mais verde, justo e inclusivo.

Pelo seu impacto estrutural no ambiente e nas comunidades, e pela sua ligação ao território, as empresas assumem uma enorme responsabilidade na prossecução dos ODS. Em Portugal, temos dado passos francamente positivos, mas ainda há muito caminho a percorrer.

Esse caminho exige governança, rotinas, indicadores e responsabilização, não apenas iniciativas pontuais. Pressupõe uma visão integrada e de conjunto, e reportar de forma consistente o que fazemos e o que conquistamos.

Na era da sustentabilidade, falar e agir já não basta. É preciso ser sustentável na verdadeira aceção da palavra e agir a partir desse lugar, integrando estes princípios na forma de gerir, decidir e liderar, com coerência entre o que se assume, o que se faz e o que se mede.

É aí que a sustentabilidade deixa de ser um tema e passa a ser um critério permanente, presente na definição de prioridades, na alocação de recursos, na relação com fornecedores, colaboradores e parceiros, e na forma como se cria valor para clientes e comunidades.

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E é também assim que o tecido empresarial português pode continuar a dar um contributo decisivo para os ODS: elevando padrões, partilhando boas práticas e mobilizando quem está à sua volta, numa lógica de progresso contínuo e colaboração. Porque o futuro não se constrói apenas com ambição ou intenções; constrói-se com disciplina, transparência e consistência, todos os dias.

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