O cromossoma Y está a desaparecer… Estudo revela que o futuro dos homens passa por novo gene sexual

O cromossoma Y, fundamental na determinação do sexo masculino em humanos e outros mamíferos, está a enfrentar um processo de degeneração que poderá culminar no seu desaparecimento em alguns milhões de anos.

Pedro Gonçalves
Agosto 31, 2024
11:00

O cromossoma Y, fundamental na determinação do sexo masculino em humanos e outros mamíferos, está a enfrentar um processo de degeneração que poderá culminar no seu desaparecimento em alguns milhões de anos. Este facto, que levanta preocupações sobre a continuidade da espécie humana, está a ser estudado por cientistas de todo o mundo. Contudo, existem já indícios de que um novo gene sexual poderá emergir e assegurar o futuro da humanidade.

O Papel do Cromossoma Y na Determinação do Sexo
Nos mamíferos, incluindo os humanos, o sexo é determinado pela presença de um cromossoma Y nos machos, que têm um cromossoma X e um Y, em contraste com as fêmeas, que têm dois cromossomas X. Embora o cromossoma X contenha centenas de genes responsáveis por diversas funções, o Y possui apenas cerca de 55 genes, mas é crucial para o desenvolvimento masculino. O gene SRY, presente no cromossoma Y, é o que dá início ao processo de formação dos testículos no embrião, levando à produção de hormonas masculinas e, eventualmente, ao desenvolvimento de um bebé do sexo masculino.

O Declínio do Cromossoma Y
Vários estudos, referidos por Jenny Graves, Professora de Genética da Universidade La Trobe, no The Conversation, sugerem que o cromossoma Y está a perder genes a um ritmo significativo ao longo da evolução. O ornitorrinco, por exemplo, possui cromossomas sexuais bastante diferentes, semelhantes aos das aves, o que indica que os cromossomas sexuais dos mamíferos já foram comuns no passado. Se este declínio continuar, é possível que o cromossoma Y desapareça completamente dentro de 11 milhões de anos.

Esta previsão gerou um intenso debate na comunidade científica, com estimativas sobre a “morte” do cromossoma Y a variarem entre algumas dezenas de milénios e uma existência indefinida.

Roedores Que Sobreviveram Sem Cromossoma Y
Apesar das preocupações, a natureza já forneceu exemplos de como uma espécie pode sobreviver sem o cromossoma Y. Dois ramos de roedores, os ratinhos-toupeira do leste da Europa e os ratos-espinhosos do Japão, perderam o cromossoma Y e o gene SRY, mas continuam a prosperar. Nestes casos, o cromossoma X permanece presente em dose única ou dupla, em ambos os sexos.

No caso dos ratos-espinhosos, investigadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, liderados pela bióloga Asato Kuroiwa, descobriram que os genes anteriormente presentes no cromossoma Y foram redistribuídos para outros cromossomas. Em 2022, a equipa identificou uma pequena duplicação de DNA no cromossoma 3, responsável por ativar o gene SOX9, essencial para a determinação do sexo masculino, sem necessidade do SRY.

O Futuro da Humanidade Sem o Cromossoma Y
A possível extinção do cromossoma Y em humanos levanta questões sobre o futuro da reprodução humana. Embora algumas espécies, como certos lagartos e cobras, possam reproduzir-se sem machos através da partenogénese, este processo não é viável em humanos devido à necessidade de genes específicos que apenas podem ser transmitidos pelo esperma.

Contudo, a descoberta de que outras espécies já evoluíram novos mecanismos para determinar o sexo oferece uma esperança: a humanidade poderá desenvolver um novo gene sexual que assegure a continuidade da espécie. No entanto, este processo evolutivo não está isento de riscos, como a possível emergência de múltiplos sistemas de determinação sexual em diferentes regiões do mundo, o que poderia levar à formação de novas espécies humanas.

Assim, dentro de alguns milhões de anos, o futuro dos seres humanos poderá ser drasticamente diferente, com a possibilidade de várias espécies distintas de humanos coexistirem, cada uma com o seu próprio sistema de determinação sexual.

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