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O Consumo Privado e o Papel da Empresas

Por Ricardo Florêncio

A quebra do PIB no segundo trimestre é assustadora. Temos de recuar muitos anos, para podermos assistir a um valor tão baixo. Mas o mais impressionante é que a grande parte resulta de uma quebra vertiginosa do consumo privado. Há uma quebra muito generalizada do poder de compra, há receios face ao futuro, uma maior cautela nas compras realizadas e uma maior propensão à poupança, além de uma redução muito acentuada de circulação das pessoas e, deste modo, muitas das compras, seja por impulso ou não, acabam por não acontecer. Obviamente que todos estes motivos estão relacionados uns com os outros, funcionam como bola de neve, e todos contribuem para o empobrecimento da economia, da sociedade, do País. Por isso, é imperativo que, com todos os cuidados, cautelas e regras, voltemos a ter uma vida neste novo normal. Temos necessidade de circular, de voltar aos nossos locais de trabalho, de consumir. E aqui encontramos algumas contradições e mesmo paradoxos por parte das empresas. Se, por um lado se queixam das quebras de aquisição dos seus produtos e serviços, e se esforçam para que os voltemos a adquirir, por outro, incentivam os seus colaboradores a continuarem em casa. Ou seja, desejam que os outros circulem, mas os deles, não. Nesta questão de alguma retoma do consumo privado, as empresas têm um importante papel a desempenhar. Mais uma vez, com todos os cuidados e regras, têm de permitir e incentivar os seus colaboradores a voltar aos seus locais de trabalho, pois eles também precisam. De voltar a algumas das suas rotinas, de voltar a circular, a consumir, a voltar a viver.

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 174 de Setembro de 2020

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