A Volkswagen está a preparar uma mudança ambiciosa no mercado automóvel europeu: transformar os carros elétricos em ativos capazes de gerar rendimento para os proprietários. O jornal ‘El Economista’ adianta que o grupo alemão vai lançar na Alemanha, até ao final de 2026, um sistema que permitirá vender energia da bateria do veículo de volta à rede elétrica.
Na prática, o automóvel deixará de ser apenas um meio de transporte e um centro de consumo energético. Passará também a funcionar como uma bateria móvel, capaz de armazenar eletricidade quando os preços estiverem mais baixos e devolvê-la à rede nos momentos de maior procura.
A tecnologia utilizada é conhecida como V2G (‘Vehicle-to-Grid’) e poderá alterar o papel do carro elétrico no sistema energético europeu. O condutor carrega o veículo em horas mais baratas, guarda energia e vende parte dessa eletricidade quando o mercado valoriza mais o consumo.
Segundo estimativas da Volkswagen, os utilizadores poderão poupar ou ganhar entre 700 e 900 euros por ano em condições favoráveis.
O pré-registo do serviço abre em junho de 2026 e o lançamento comercial está previsto para o quarto trimestre do mesmo ano, inicialmente na Alemanha. Mais tarde, a solução deverá ser alargada a outros mercados europeus, embora sem datas oficiais anunciadas.
Mais adiante, o ‘El Economista’ explica que a proposta integra um ecossistema completo: tarifa elétrica, carregador bidirecional, contador inteligente e aplicação digital para gerir consumos e receitas.
O objetivo de longo prazo é ainda mais ambicioso: reduzir o custo do carregamento doméstico para perto de zero.
Além da vantagem para os consumidores, a Volkswagen considera que esta tecnologia pode ajudar a estabilizar a rede elétrica europeia. Milhares de carros ligados ao sistema funcionariam como uma vasta rede distribuída de armazenamento, especialmente útil para aproveitar excedentes de energia solar e eólica.
O potencial económico é elevado. Alguns estudos citados pela empresa apontam para poupanças anuais até 22 mil milhões de euros na Europa até 2040.
A base técnica já existe. A plataforma MEB da Volkswagen conta com cerca de um milhão de veículos na Europa preparados para carregamento bidirecional, incluindo modelos da gama ID. compatíveis desde 2023.
Por trás do sistema estará a Elli, subsidiária energética do grupo, que fará a ligação entre carro, utilizador e mercados de eletricidade em tempo real.
Se o plano avançar como previsto, o carro elétrico poderá entrar numa nova fase: deixar de pesar apenas na fatura e começar finalmente a gerar retorno financeiro.



