“O ano de 2022 tem sido extremamente desafiante para o mercado das criptomoedas”. Analista faz retrospetiva do setor

O ano de 2022 tem sido extremamente desafiante para o mercado das criptomoedas. O primeiro trimestre foi particularmente violento para os mercados, motivado pelas preocupações dos investidores em relação às políticas monetárias mais restritivas para combater a subida da inflação e também pela invasão inesperada da Rússia à Ucrânia.

No entanto, as surpresas não ficaram por aqui. O sell-off nas criptos levantou várias fragilidades no ecossistema, causando sérios problemas de liquidez para algumas instituições, sendo que tudo começou a meio do ano quando a maior plataforma de empréstimos em CeFi – a Celsius – decidiu suspender os levantamentos acabando mais tarde por declarar falência.

A Celsius argumentou que as condições extremas no mercado colocaram a empresa numa situação financeiramente frágil, no entanto, ao longo do processo judicial têm-se percebido que o principal problema da empresa esteve relacionado com o facto de estar extremamente alavancada em produtos pouco líquidos e arriscados, tal como se veio a saber que a exposição a projetos DeFi era substancialmente maior do que aquilo que a empresa alegava. A falência da Celsius acabou por ter impacto também noutras plataformas de lending como a Voyager (na qual ironicamente foi resgatada pela FTX que declarou também falência recentemente).

A falência da terceira maior exchange no mundo – a FTX acabou por abalar ainda mais o mercado cripto. Os motivos pela queda da gigante FTX acabam por ser semelhantes aos que motivaram a Celsius, apesar do excesso de liquidez que a exchange apresentava nos últimos 2 anos, o excesso de leverage recentemente acabou por prejudicar seriamente a saúde financeira da empresa, que levou a problemas de liquidez agravados, certamente, quando o CEO da Binance lançou rumores que a FTX poderia sofrer de tais problemas.

Desde então, temos assistido a uma sequência de falência de plataformas, em TradFi e CeFi que estão a levar a uma descredibilização do setor, tal como aconteceu na última grande crise financeira que envolveu os bancos nos EUA.

 

Henrique Tomé

Analista da XTB

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