‘Nuvens negras’ na campanha: Biden, Macron e Sunak apostam no pessimismo e ataque à extrema-direita para conquistar eleitores

A equipa de Biden está em modo de ataque, uma tática comum entre líderes em dificuldades tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Em França, o Presidente Emmanuel Macron tem alertado que candidatos da extrema-direita e extrema-esquerda levariam ao “empobrecimento do país”.

Pedro Gonçalves
Junho 20, 2024
11:42

Num evento de angariação de fundos em Hollywood, o Presidente Joe Biden apresentou uma mensagem marcada pelo pessimismo. Biden destacou como uma das partes mais assustadoras de um possível retorno de Donald Trump ao cargo seria a nomeação de novos juízes para o Supremo Tribunal. A Primeira Dama, Jill Biden, foi ainda mais longe, alertando que Trump deseja “poder absoluto” e pretende “destruir as salvaguardas democráticas que o impedem”.

Estas declarações refletem o tom cada vez mais sombrio dos anúncios de campanha de Biden, que evocam o motim de 6 de janeiro, alertam que “Trump está pronto para destruir tudo” e o rotulam como “um criminoso condenado”. A equipa de Biden está em modo de ataque, uma tática comum entre líderes em dificuldades tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Em França, o Presidente Emmanuel Macron tem alertado que candidatos da extrema-direita e extrema-esquerda levariam ao “empobrecimento do país”. No Reino Unido, o Primeiro Ministro Rishi Sunak tem conduzido uma campanha quase inteiramente negativa contra o Partido Trabalhista, assinala o Politico.

Os três líderes – Biden, Macron e Sunak – representam ideologias, culturas e gerações diferentes, mas têm em comum a impopularidade. As suas campanhas agressivas refletem um ambiente político dominado pela frustração e pelo medo. Segundo Ben Tulchin, um sondador democrata que trabalhou nas campanhas presidenciais de Bernie Sanders, “quando os eleitores estão irritados e zangados, não querem ouvir sobre arco-íris e sol”.

Nos Estados Unidos e em França, os eleitores estão tão desiludidos com o status quo político que estão mais dispostos a apoiar partidos e políticos outrora considerados fora do mainstream. Em ambos os países, candidatos de extrema-direita fazem campanha com retórica quase apocalíptica sobre imigração, segurança e soberania nacional. Macron e os seus aliados têm soado o alarme sobre o partido de Marine Le Pen, a Frente National. O Primeiro Ministro francês, Gabriel Attal, previu uma “catástrofe económica” em caso de vitória da extrema-direita ou da esquerda. Bruno Le Maire, Ministro das Finanças, acusou Le Pen de propor um programa “puramente marxista” que arruinaria a economia.

Le Pen, tal como Trump, frequentemente expressa opiniões anti-imigrantes e anti-islâmicas, elogia o Presidente russo Vladimir Putin e questiona o envolvimento de França na NATO e as suas alianças democráticas tradicionais, especialmente com os EUA. No Reino Unido, onde as sondagens mostram que os Conservadores estão a caminho da derrota, Sunak tem tentado assustar o público para que não devolva o poder ao Partido Trabalhista. As acusações incluem a sugestão falsa de que o Trabalhismo quer abolir a família real britânica.

Análises mostraram que quase 95% dos £500.000 gastos pelos Conservadores na plataforma Meta foram para anúncios de ataque. Matt Bennett, líder do think tank centrista americano Third Way, afirmou que Biden e Macron estavam certos em abordar os eleitores em termos claros sobre as implicações de eleger a extrema-direita. A campanha negativa de Biden, tal como as de Macron e Sunak, reflete uma tentativa de clarificar as apostas das eleições para os eleitores. No entanto, a popularidade dos seus oponentes e a insatisfação generalizada com a situação atual sugerem que estas táticas podem não ser suficientes para garantir a vitória.

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