Nunca houve número tão baixo de professores para substituições temporárias, avisam especialistas

Em causa estão os resultados das colocações dos professores para 2025/26, em que apenas 20.060 não obtiveram colocação ou continuam como docentes contratados – são estes quem assegura as substituições por baixa médica ou reformas ao longo do ano letivo

Revista de Imprensa
Junho 18, 2025
10:23

“Nunca houve tão poucos professores disponíveis para as substituições temporárias”, alerta esta quarta-feira Arlindo Ferreira, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim, e autor do blogue ArLindo, citado pelo ‘Diário de Notícias’. Em causa estão os resultados das colocações dos professores para 2025/26, em que apenas 20.060 não obtiveram colocação ou continuam como docentes contratados – são estes quem assegura as substituições por baixa médica ou reformas ao longo do ano letivo.

“É um número inferior ao de outros anos. Já houve 40 mil. Entretanto baixou para os 30 mil, mas este é o número mais baixo dos últimos muitos anos”, explica o especialista. “São os professores que são ‘pau para toda a colher’ e o número atual dos que estão por colocar é muito reduzido para suprir as ausências temporárias ao longo do ano letivo”, indica, salientando que esta escassez “vai-se notar muito no próximo ano”.

“O programa [do Governo] refere a necessidade de formar mais professores. É necessário que se faça, mas nas zonas onde há maior défice de professores. Não faz sentido formar, por exemplo, professores na zona Norte se não são necessários”, aponta. “Formar mais professores e aumentar os vencimentos principalmente nos primeiros escalões da carreira era importante para atrair professores para o ramo de Ensino. Podia ser um chamariz para os estudantes para seguirem para o ramo Ensino”, lembra.

Também Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), indica que “para o próximo ano letivo, antevejo as mesmas dificuldades ou até algum agravamento da falta de professores, com as escolas a terem de recorrer à atribuição de horas extra para que as repercussões deste fenómeno sejam o menos sentidas possível nas escolas”.

“Apesar de começarmos a ter um corpo docente mais estável, o que me está a preocupar é o cansaço e as baixas médicas. São algumas das causas que originam a necessidade de contratar professores e, tendo em conta o número de professores disponíveis, essa contratação pode ser difícil”, prevê.

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