A agência de inteligência militar da Ucrânia salientou, esta terça-feira, o seu envolvimento numa emboscada que matou combatentes do Grupo Wagner da Rússia no Mali, na África Ocidental, a milhares de quilómetros da linha da frente na Ucrânia.
De acordo com um canal da rede social ‘Telegram’, vinculado à liderança do Wagner, admitiu que o grupo sofreu pesadas perdas durante os combates na semana passada – o grupo paramilitar e as forças armadas malianas tinham “lutado batalhas ferozes” ao longo de cinco dias contra uma coligação de forças separatistas tuaregues e grupos jihadistas, que tinham usado armas pesadas, drones e homens-bomba: vários combatentes Wagner, incluindo o comandante Sergei Shevchenko, terão sido mortos.
Segundo Andrii Yusov, porta-voz da agência de inteligência militar GUR da Ucrânia, “os rebeldes receberam as informações necessárias, e não apenas as informações, que permitiram uma operação militar bem-sucedida contra criminosos de guerra russos”, sem no entanto salientar se militares ucranianos estiveram envolvidos nos combates ou sequer presentes no país.
O Governo do Mali, que vem lutando contra várias insurgências no norte do país há mais de uma década, solicitou a ajuda do grupo Wagner depois de uma junta militar ter assumido o poder em 2020. Em maio do ano passado, os EUA impuseram sanções ao chefe dos Wagner no Mali, acusando o grupo de usar a sua operação em África como um canal de equipamento militar para a guerra na Ucrânia.
Acredita-se que as forças ucranianas estejam ativas no Sudão, outro lugar onde as tropas Wagner estiveram fortemente envolvidas em combates, em mais um sinal de que a luta de Kiev com Moscovo assumiu uma dimensão global.
“Para Moscovo, os países africanos onde os Wagner estão presentes são apenas uma zona de interesse que lhe permite obter recursos – ouro, diamantes, gás e petróleo – e o dinheiro vai para financiar a agressão russa”, revelou Serhii Kuzan, diretor do Centro Ucraniano de Segurança e Cooperação em Kiev, explicando por que a Ucrânia pode querer atingir os Wagner na África. “Uma parte significativa dos soldados destruídos adquiriu experiência militar na Ucrânia, onde cometeram centenas ou milhares de crimes de guerra… esses crimes devem ser punidos, e os criminosos de guerra russos devem saber que nunca estarão seguros”, conclui Kuzan.














