Números não param de subir desde 2020: uma pessoa é vítima por dia de atropelamento e fuga. Parlamento recebe petição para agravar moldura penal

Caso de Afonso Gonçalves, de 21 anos, atropelado na Av. dos Estados Unidos da América, em Lisboa, por um taxista que não parou para socorrer a vítima, foi o ‘gatilho’ para uma petição, lançada pela família do jovem, para mudar a atual moldura penal do crime em Portugal

Revista de Imprensa
Março 10, 2025
9:44

De acordo com dados da Polícia de Segurança Pública, uma pessoa foi vítima por dia de atropelamento e fuga em 2024. No total, apontou o ‘Diário de Notícias’, foram 373 casos, um número que vem a crescer desde 2020.

O caso de Afonso Gonçalves, de 21 anos, atropelado na Av. dos Estados Unidos da América, em Lisboa, por um taxista que não parou para socorrer a vítima, foi o ‘gatilho’ para uma petição, lançada pela família do jovem, para mudar a atual moldura penal do crime em Portugal. Em pouco mais de um mês, foram reunidas mais de 10 mil assinaturas, mais do que necessário para levar o tema ao Parlamento.

Na petição, pode ler-se que no caso “de a omissão de auxílio resultar na morte da vítima, o agente terá de ser punido com a pena aplicável ao crime respetivo agravado na metade do seu limite máximo, tanto de pena de prisão quanto na sua vertente de aplicação da pena de multa”. Recorde-se que a legislação portuguesa prevê uma pena de prisão de até dois anos – ou multa de até 240 dias – para o crime de omissão de auxílio.

“O impulso veio muito também daquilo que nós sentimos, principalmente naquele primeiro mês em que vimos que o assassino do nosso filho andava solto, andava em liberdade, porque ainda estavam a tentar arranjar provas para que pudesse ser decretada a prisão preventiva”, referiu Paulo Gonçalves, pai de Afonso. Uma reportagem da ‘TVI/CNN’ revelou que o autor do atropelamento estava em liberdade condicional por violação de menor e que, há quatro anos, atropelou mortalmente outra pessoa, e foi absolvido.

“Nós resolvemos pôr, logo de início, um advogado a tratar das coisas e começámos a perceber a lei e o que era a omissão de auxílio. Ficámos mesmo horrorizados quando o advogado começou a explicar o processo de omissão de auxílio”, detalhou Carla Gonçalves, mãe do jovem. “Eu disse: ‘Se isso é assim, então vai mudar, nem que seja o que vou fazer até o meu último dia de vida.”

A petição pede também que sejam discutidas “medidas complementares para reforçar a fiscalização, a responsabilização e a punição daqueles que, ao fugirem do local de um atropelamento, naturalmente, agravam as consequências para as vítimas”.

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