Números da escravidão moderna no Reino Unido podem ser 10 vezes superior às estimavas

O CSJ estuda e faz recomendações de políticas para combater a pobreza.

Sónia Bexiga

Mais de 100 mil pessoas podem estar a trabalhar em condições de escravidão no Reino Unido, num número cerca de 10 vezes superior às estimativas oficiais já conhecidas. Sendo que a pandemia global do novo coronavírus só deverá piorar esta situação, alerta o CSJ – ‘Center for Social Justice’, citado pela ‘Bloomberg’.

É com base nos níveis crescentes de pobreza e na falta de oportunidades que deixarão milhões de pessoas vulneráveis que o referido ‘think tank’, num relatório lançado esta segunda-feira, vem advertir que ​poderemos assistir a um aumento no tráfico de seres humanos e na escravidão moderna.

Segundo afirmou o secretário da Justiça Robert Buckland, em declarações no dia de hoje à Sky News, a escravidão moderna está em “todas as cidades da Grã-Bretanha”, estando mesmo a decorrer algumas avaliações, levadas a cabo pela Agência Nacional de Crimes, a alegadas situações de escravidão moderna e exploração na indústria do vestuário, em Leicester.

O relatório do CSJ vem ainda mostrar um outro lado preocupante: as vítimas, quando procuram justiça, chegam a ficar meses e até anos à espera de uma decisão sobre se têm direito a apoio financiado pelo governo, um processo conhecido como ‘Mecanismo Nacional de Referência’.

Uma demora que deixa as vítimas “vulneráveis ​​a serem traficados novamente”, alerta o relatório do CSJ, acrescentando que este é “um sistema burocrático lento e complexo e deixa muitas vítimas incapazes de continuar com as suas vidas por causa dos atrasos no processo de tomada de decisão. O mecanismo deve ser completamente revisto para ser conduzido por pessoas e não como um exercício de seleção”.

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Os números do governo, partilhados em 2017, apontavam para um cenário em que o impacto económico da escravidão podia atingir os 5,4 mil milhões de dólares, embora se tivesse baseado em cerca de 10 mil a 13 mil vítimas em 2013.

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