A África Subsaariana tinha cerca de 31,7 milhões de pessoas deslocadas em 2025, uma diminuição face às 38,8 milhões registadas em 2024, segundo o “Relatório Global sobre Deslocações Internas 2026” hoje publicado.
De acordo com o relatório publicado hoje pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), uma Organização Não-Governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados, a região da África Subsaariana registou 17,3 milhões de deslocações ao longo de 2025, um número inferior ao de 2024, devido, em grande parte, “ao resultado de uma redução significativa nas deslocações por desastres”.
“Cerca de 31,7 milhões de pessoas viviam em situação de deslocação interna em toda a região no final do ano, uma ligeira diminuição em comparação com 2024, maioritariamente o resultado de regressos na República Democrática do Congo [RDCongo] – nação vizinha de Angola – e no Sudão”, reitera.
O documento cita que as deslocações nesta região africana se devem, principalmente, a conflitos persistentes e à violência, que, consequentemente, deslocou cerca de 29 milhões de pessoas em 2025.
As nações africanas que registaram as maiores deslocações internas motivadas por conflito e violência foram: a RDCongo, com cerca de 9,7 milhões, o Sudão, com cerca de 1,7 milhões, e o Sudão do Sul, com cerca de 864.000.
Só a RDCongo foi responsável por 67% das 14,5 milhões de deslocações desencadeadas por conflitos e violência em toda a África Subsaariana em 2025. O país registou, de longe, o seu valor mais elevado de sempre, e foi responsável por quase um terço de todas as deslocações por conflitos a nível global, contextualiza.
Também conflitos recorrentes e violência na Nigéria, Etiópia e Moçambique desencadearam deslocações adicionais, acrescentou.
Outro dado salientado é o facto de a Etiópia ter registado quase 353.000 deslocações em 2025, o seu valor mais baixo desde 2016, estima o documento.
Os desastres, por sua vez, foram responsáveis por 2,9 milhões de movimentos, uma diminuição de quase três vezes em relação ao valor de 2024, refletindo uma redução global no número de deslocações por inundações.
Por fim, o estudo salienta também que, no continente africano, os desastres sobrepõem-se.
Por exemplo, o Sudão do Sul, além das deslocações devido a conflitos e violência, registou a maioria das deslocações por inundações na África Subsaariana em 2025, com mais de 487.000, mais de um terço do total regional.












