Bancos trocam funcionários por máquinas: balcões aumentam, mas atendimento encolhe

Apesar da inversão da tendência de queda que se verificava desde 2019, o crescimento esconde uma transformação profunda na forma como muitos balcões funcionam

Revista de Imprensa

O número de balcões bancários em Portugal voltou a subir pela primeira vez em seis anos, mas a realidade por detrás dos números revela uma transformação profunda no funcionamento das agências. Segundo dados da Associação Portuguesa de Bancos (APB) citados pelo ‘Jornal de Notícias‘, muitos bancos estão a substituir o atendimento presencial por máquinas e serviços digitais, mantendo os balcões abertos apenas com serviços mínimos.

De acordo com os dados divulgados pela APB, existiam 3.293 agências bancárias com atividade em Portugal em junho do ano passado, ligeiramente acima das 3.284 registadas em dezembro de 2024. Trata-se de um crescimento residual, que quebra a tendência de redução contínua da rede física registada desde 2019.

No entanto, a subida no número de balcões não significa necessariamente mais atendimento humano. Em muitas agências, as operações tradicionais de caixa — como depósitos ou levantamentos — deixaram de ser realizadas por funcionários e passaram a ser feitas exclusivamente em caixas multibanco ou através de plataformas digitais.

Nuno Matos, da Direção Central do Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SINTAF), explicou que muitos balcões permanecem abertos apenas para serviços específicos, como crédito ou seguros, enquanto as operações mais comuns são encaminhadas para máquinas ou para o atendimento online.

Rede bancária continua muito menor do que há uma década

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Apesar da ligeira subida agora registada, a rede bancária portuguesa está ainda muito longe da dimensão que tinha há uma década. Em 2015 existiam 4.918 balcões no país, quase mais 1.600 do que atualmente.

Segundo o ‘Jornal de Notícias’, este processo de redução da presença física dos bancos tem contribuído para uma maior concentração dos serviços financeiros, sobretudo nas grandes áreas urbanas. Em muitos concelhos do Interior, a oferta de agências tornou-se escassa, sendo frequentemente a Caixa Geral de Depósitos a única instituição presente.

No seu balanço mais recente, a APB reconhece que o setor bancário tem vindo a implementar um “redimensionamento significativo das estruturas operativas”, num processo de reorganização que inclui a redução do atendimento presencial e a aposta em canais digitais.

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Crédito Agrícola e CGD lideram rede de balcões

Entre as instituições com maior presença no território nacional, a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo surge como o banco com mais instalações, com 618 balcões. Segue-se a Caixa Geral de Depósitos, com 518.

Entre os bancos privados e mutualistas, o Millennium BCP liderava a rede com 371 agências, seguido do Santander Totta com 335, do BPI com 299, do Novo Banco com 284 e do Montepio com 224.

Interior mais afetado pela redução do atendimento

As diferenças regionais continuam a ser significativas. O distrito de Lisboa concentra 675 balcões, seguido do Porto com 451 e de Aveiro com 217.

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No extremo oposto surgem distritos como Portalegre, com 51 agências, Beja com 62 e Bragança com 65.

António Fonseca, presidente do Mais Sindicato, alerta que a redução do atendimento presencial está a afetar sobretudo as populações mais envelhecidas. Em vários locais existem balcões que não abrem todos os dias ou que funcionam apenas durante parte do horário normal.

Segundo o dirigente sindical citado pelo ‘Jornal de Notícias’, este processo representa uma perda da responsabilidade social dos bancos, numa altura em que muitos clientes continuam a depender do atendimento presencial.

A situação é particularmente visível em alguns concelhos com apenas um balcão bancário, como Barrancos, Constância, Vila Nova da Barquinha, Vila Velha de Ródão, Ponta do Sol e Lajes das Flores. Mais de 30 municípios têm apenas duas agências, como acontece em Ponte da Barca, que chegou a ter sete balcões.

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