Entre acusações lançadas de que a Ucrânia prepara uma operação de bandeira falsa com uso de uma ‘bomba suja’, ou que planeia, no mesmo tipo de operação, destruir uma barragem em Kherson, a Rússia realizou esta quarta-feira, com as suas forças nucleares estratégicas, e sob a supervisão do Presidente russo, Vladimir Putin, a simulação de um “ataque nuclear massivo”. O anúncio foi feito pelo Kremlin.
Os exercícios incluíram a utilização de um míssil balístico disparado na península de Kamchatka, no Extremo Oriente russo, e outro das águas do Mar de Barents, no Ártico, bem como envolveram aviões de longo alcance Tu-95.
Os exercícios surgem poucas semanas depois de, em setembro, Putin anunciar que, perante uma “ameaça” à soberania ou a qualquer território da Federação Russa, não hesitaria em “usar todos os meios” ao seu alcance para retaliar, abrindo porta à escalada para um conflito nuclear.
Mas e o que aconteceria na eventualidade de uma violenta ofensiva nuclear? Quantas pessoas morreriam na explosão de uma bomba com essa capacidade? Quais os efeitos imediatos e os que se seguiriam, como chuva radioativa?
A pensar nestas dúvidas e questões, Alex Wellerstein, historiador de armas nucleares e professor do Stevens Institute of Technology, em Hoboken, Nova Jersey, criou um simulador de bomba nuclear.
O NUKEMAP foi projetado para mostrar o efeito de uma detonação nuclear em qualquer local do mundo. Consiste num mapa que permite aos utilizadores selecionar um determinado local ver uma simulação do impacto da ofensiva, mediante a inserção de vários fatores, como o poder da arma e se ela detona ou não na (ou perto) da superfície ou no ar.
A simulação estima o número potencial de mortes e ferimentos resultantes de qualquer explosão, bem como um modelo aproximado de onde qualquer precipitação nuclear se espalhará e as dimensões da nuvem de explosão.
É ainda possível escolher o tipo de bomba. Neste caso, usámos “Tsar”, que foi desenvolvida pela URSS em meados da década de 1950 e início da década de 1960, sendo a arma nuclear mais poderosa já criada e testada pelos russos.
Fizemos os cálculos para quatro cidades portuguesas: Lisboa, Porto, Coimbra e Faro. No primeiro caso, a explosão da bomba causaria aproximadamente 1,580,050 mortes e cerca de 1,135,890 feridos.

O seu principal raio de ação seria o centro da cidade, no seguinte, mais afastado, inclui-se já as periferias de Odivelas, Loures, Sesimbra, Sintra e Mafra. No seguinte, com menos pressão, estão abrangidas as zonas de Alenquer, Coruche, Vendas Novas, Alcácer do Sal e Lourinhã; no último com a menor intensidade, podem ainda ser atingidas Sines, Mora, Santarém e Peniche.

Se a estimativa for para o Porto, estão previstas 1,393,720 mortes e 1,346,730 feridos. Aqui, a intensidade máxima será no centro da cidade, mas também em Espinho Paredes e Oliveira de Azeméis. Com a menor pressão, mas ainda a poder sentir o impacto estão, por exemplo, Mira, Mealhada, Tondela, Caminha e Arcos de Valdevez.

Em Coimbra, se detonasse uma bomba nuclear causava 311,630 mortes e 703,170 feridos. Aqui no raio mais perto está o centro da cidade, bem como, Mealhada, Góis e Pombal. No mais longe, estão as cidades de Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Mação, por exemplo.

Por último, em Faro, morriam 149,070 pessoas e ficavam feridas outras 210,100. Mais afetado seria o centro da cidade e Tavira. No circulo mais longínquo mas ainda a sofrer impacto estão as cidades de Mértola, Castro Verde, Aljezur e Vila do Bispo.
Faça aqui a simulação para a sua cidade.






