Novos problemas nos exames nacionais: há alunos com provas erradas, classificações em falta e escolhas múltiplas sem avaliação

Depois dos atrasos e dificuldades registados na divulgação das classificações da primeira fase dos exames nacionais, esta segunda-feira, 20 de julho, começa com novos constrangimentos que continuam a gerar preocupação entre alunos, famílias e escolas.

Revista de Imprensa

Depois dos atrasos e dificuldades registados na divulgação das classificações da primeira fase dos exames nacionais, esta segunda-feira, 20 de julho, começa com novos constrangimentos que continuam a gerar preocupação entre alunos, famílias e escolas. Além da afixação das pautas das provas finais do 9.º ano e do arranque das candidaturas ao ensino superior, multiplicam-se os relatos de irregularidades na consulta das provas, incluindo exames trocados, classificações incompletas e perguntas de escolha múltipla alegadamente deixadas por avaliar, numa altura em que os estudantes têm de decidir se avançam com pedidos de reapreciação.

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De acordo com o Jornal de Notícias (JN), vários alunos encontraram erros quando acederam às cópias digitais das suas provas. Entre as situações reportadas estão ficheiros PDF que não correspondem ao exame realizado pelo estudante, folhas com a discriminação das classificações dos diferentes itens que não chegaram aos interessados e provas em que perguntas de escolha múltipla surgem sem qualquer avaliação. O Júri Nacional de Exames (JNE) reconheceu no domingo que algumas classificações enviadas às escolas continham incorreções e garantiu que os casos pendentes seriam resolvidos, mas, segundo o jornal, persistiam ainda situações por regularizar, nomeadamente relacionadas com o exame de Economia.

As preocupações são partilhadas pelo movimento Missão Escola Pública. A porta-voz, Cristina Mota, afirmou ao JN que, em disciplinas como Física e Química A e Biologia e Geologia, existem indícios de que determinadas perguntas de escolha múltipla não foram classificadas. A responsável refere ainda que alguns estudantes receberam provas cuja caligrafia não corresponde à sua, além de existirem casos em que falta a folha onde constam as classificações atribuídas a cada item, situação que poderá dificultar a fundamentação de um eventual pedido de reapreciação. A docente alerta igualmente para desigualdades entre escolas, defendendo que os estabelecimentos com maior número de alunos enfrentam maiores dificuldades na gestão e envio de toda a documentação.

O impacto faz-se sentir também junto das escolas, que esperam um elevado número de pedidos de reapreciação. Segundo o diretor da Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos, José Ramos, o secretariado preparou-se para receber muitos alunos ao longo desta segunda-feira, data em que é possível consultar as provas com os respetivos professores e iniciar os procedimentos previstos para contestar classificações. Entretanto, os estudantes do 9.º ano aguardam igualmente pelas notas das provas finais, que representam 30% da classificação final nas disciplinas de Português e Matemática. A incerteza mantém-se para muitos alunos, que ainda não sabem se transitam de ano ou se terão de realizar a segunda fase das provas, cujo calendário arranca já na terça-feira, 21 de julho. Face à sucessão de problemas e ao calendário apertado, o movimento Missão Escola Pública voltou a defender o adiamento da segunda fase para setembro, argumentando que a coincidência entre a classificação das reapreciações e das novas provas poderá tornar o processo incomportável para os professores classificadores.

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