Novos mísseis americanos já são ‘invisíveis’ a radares inimigos: AGM-158 XR tem alcance de 1.600 km e pode levar 400 kg de explosivos

Lockheed Martin, um dos principais contratantes do Departamento de Defesa dos EUA e criador do caça stealth F-35, anunciou recentemente um novo míssil de cruzeiro

Francisco Laranjeira

Todo o conhecimento acumulado na indústria aeronáutica de caças de quinta geração está agora a chegar ao ramo dos mísseis: estas capacidades incluem eficiência de motor, assim como a possibilidade de ser invisível aos radares inimigos, um recurso muito valioso para contornar sistemas antiaéreos.

A Lockheed Martin, um dos principais contratantes do Departamento de Defesa dos EUA e criador do caça stealth F-35, anunciou recentemente um novo míssil de cruzeiro que reúne todas estas características e atinge um alcance de ação muito alargado. Para tal, foi utilizada a plataforma da família de mísseis JASSM, que já é compatível com caças como o F-16, F-18 ou o F-35, entre outros.

“Ele aproveita uma linha de produção e processos de produção existentes”, referiu Jon Hill, vice-presidente e responsável geral de domínio aéreo de ataque da Lockheed Martin, à ‘National Defense’. O nome do míssil é AGM-158 XR – pode ver o vídeo aqui. “O que isso realmente faz é expandir a família existente JASSM e LRASM [versão anti-navio]… para essencialmente nos dar a capacidade de transportar mais combustível, o que se traduz no alcance que precisamos e que os combatentes precisam.”

Embora não se saiba quando a Lockheed Martin começou a desenvolver esta nova versão do míssil, as primeiras notícias remontam ao início de 2020, quando o Congresso dos EUA cancelou um programa para fabricar uma nova plataforma com capacidades nucleares. De acordo com a publicação ‘The War Zone’, a decisão estava relacionada com a promoção de uma nova linha de armas proveniente diretamente do JASSM.

“Eu diria que o AGM 158 XR é realmente uma história de inovação e de antecipação das necessidades dos combatentes”, descreveu Hill, salientando que a nova versão utiliza a modularidade daquele que é um dos mísseis do género mais modificados e fabricados no mundo.

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A nova arma emprega a mesma secção transversal trapezoidal e formato com capacidades furtivas como os seus ‘irmãos’ JASSM e LRASM. Mas com um tamanho substancialmente maior para integrar tanques de combustível mais capazes juntamente com uma ogiva de 450 quilogramas.

Embora a empresa não o tenha anunciado oficialmente, espera-se que o XR tenha um alcance de cerca de 1.600 quilómetros. Esta extensão do raio de alcance favorece as plataformas de aeronaves encarregadas de lançar o míssil. Além dos caças mencionados, a Força Aérea dos EUA também poderia lançá-los a partir de bombardeiros como o B-1 – há ainda a hipótese de descolagem de terra, como o LRASM já fez em algumas ocasiões nos lançadores verticais de navios de guerra.

Uma das características que faz da plataforma AGM-158 uma das preferidas pela Força Aérea dos EUA é a sua baixa visibilidade aos radares. A Lockheed Martin desenvolveu uma camada externa especial junto com diversas estruturas internas – todas secretas – para minimizar o eco deixado durante o voo em direção ao seu alvo pré-determinado. Ou seja, viu ser reduzida a sua assinatura infravermelha, emitida tanto pelo motor como pelo atrito com o ar, e eletromagnética, ambos vetores de deteção essenciais para radares inimigos e, posteriormente, para mísseis de intercetação lançados pelas baterias.

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