Novos documentos relacionados com o caso Jeffrey Epstein incluem alegações que mencionam Donald Trump e estão a gerar nova polémica nos Estados Unidos, depois de o Departamento de Justiça americano tornar públicos arquivos adicionais ligados à investigação sobre o empresário condenado por crimes sexuais.
De acordo com o ‘El Español’, os documentos agora divulgados incluem registos de interrogatórios realizados pelo FBI em 2019 a uma mulher cuja identidade não foi revelada. No depoimento prestado às autoridades, a mulher afirmou ter sido vítima de abuso sexual quando tinha cerca de 13 anos, na década de 1980, referindo Jeffrey Epstein e mencionando também Donald Trump em episódios descritos durante as entrevistas.
Segundo os registos, a mulher relatou aos agentes que um homem identificado como “Jeff” a violou quando era menor. Na altura, afirmou não saber a identidade do agressor, mas disse tê-lo reconhecido mais tarde como Jeffrey Epstein quando este foi detido em 2019.
Num interrogatório posterior realizado cerca de um mês depois, a mesma testemunha acrescentou mais detalhes às autoridades. De acordo com os documentos agora tornados públicos, afirmou que Epstein a ameaçou e agrediu fisicamente, alegando que o empresário chegou a dizer que poderia mandar prender a sua mãe.
Nos registos mencionados pelo ‘El Español’, a mulher afirmou também que, numa ocasião, terá viajado para Nova Jérsia ou Nova Iorque, onde se encontrou com Donald Trump. Nesse encontro, alegou ter reagido fisicamente quando o então empresário terá tentado abusar dela sexualmente.
Os documentos divulgados tinham inicialmente ficado de fora da primeira divulgação de materiais feita pelo Departamento de Justiça em janeiro. Na altura, milhões de páginas relacionadas com o caso Epstein foram tornadas públicas, mas alguns registos não foram incluídos.
A existência desses documentos adicionais tornou-se conhecida após a análise do índice oficial dos materiais divulgados. O índice referia quatro entrevistas conduzidas pelo FBI com a mesma testemunha, mas apenas uma tinha sido incluída no conjunto inicial de documentos — e essa referia apenas acusações contra Epstein.
As restantes anotações de interrogatórios, bem como notas adicionais elaboradas pelos agentes após as entrevistas, não tinham sido divulgadas. Posteriormente, o Departamento de Justiça explicou que esses documentos tinham sido classificados de forma incorreta como duplicados.
Foi essa classificação errada que levou a que os ficheiros não fossem incluídos na divulgação inicial de cerca de três milhões de documentos tornados públicos em janeiro.
A divulgação dos novos arquivos está também a gerar pressão política em Washington. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, enfrenta críticas pela forma como o Departamento de Justiça geriu a publicação dos materiais relacionados com o caso Epstein.
Cinco membros republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes juntaram-se a democratas para exigir que Bondi compareça perante o comité para prestar esclarecimentos sobre o processo de divulgação dos documentos.
Perante a polémica, o Departamento de Justiça afirmou que continuará a analisar os materiais e a tratar o caso conforme necessário, sublinhando que apenas foram retidos documentos relacionados com processos federais ainda em curso.




