Novos documentos do caso Epstein citam Donald Trump em alegações de abuso nos anos 80

Departamento de Justiça americano tornou públicos arquivos adicionais ligados à investigação sobre o empresário condenado por crimes sexuais

Francisco Laranjeira

Novos documentos relacionados com o caso Jeffrey Epstein incluem alegações que mencionam Donald Trump e estão a gerar nova polémica nos Estados Unidos, depois de o Departamento de Justiça americano tornar públicos arquivos adicionais ligados à investigação sobre o empresário condenado por crimes sexuais.

De acordo com o ‘El Español’, os documentos agora divulgados incluem registos de interrogatórios realizados pelo FBI em 2019 a uma mulher cuja identidade não foi revelada. No depoimento prestado às autoridades, a mulher afirmou ter sido vítima de abuso sexual quando tinha cerca de 13 anos, na década de 1980, referindo Jeffrey Epstein e mencionando também Donald Trump em episódios descritos durante as entrevistas.

Segundo os registos, a mulher relatou aos agentes que um homem identificado como “Jeff” a violou quando era menor. Na altura, afirmou não saber a identidade do agressor, mas disse tê-lo reconhecido mais tarde como Jeffrey Epstein quando este foi detido em 2019.

Num interrogatório posterior realizado cerca de um mês depois, a mesma testemunha acrescentou mais detalhes às autoridades. De acordo com os documentos agora tornados públicos, afirmou que Epstein a ameaçou e agrediu fisicamente, alegando que o empresário chegou a dizer que poderia mandar prender a sua mãe.

Nos registos mencionados pelo ‘El Español’, a mulher afirmou também que, numa ocasião, terá viajado para Nova Jérsia ou Nova Iorque, onde se encontrou com Donald Trump. Nesse encontro, alegou ter reagido fisicamente quando o então empresário terá tentado abusar dela sexualmente.

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Os documentos divulgados tinham inicialmente ficado de fora da primeira divulgação de materiais feita pelo Departamento de Justiça em janeiro. Na altura, milhões de páginas relacionadas com o caso Epstein foram tornadas públicas, mas alguns registos não foram incluídos.

A existência desses documentos adicionais tornou-se conhecida após a análise do índice oficial dos materiais divulgados. O índice referia quatro entrevistas conduzidas pelo FBI com a mesma testemunha, mas apenas uma tinha sido incluída no conjunto inicial de documentos — e essa referia apenas acusações contra Epstein.

As restantes anotações de interrogatórios, bem como notas adicionais elaboradas pelos agentes após as entrevistas, não tinham sido divulgadas. Posteriormente, o Departamento de Justiça explicou que esses documentos tinham sido classificados de forma incorreta como duplicados.

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Foi essa classificação errada que levou a que os ficheiros não fossem incluídos na divulgação inicial de cerca de três milhões de documentos tornados públicos em janeiro.

A divulgação dos novos arquivos está também a gerar pressão política em Washington. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, enfrenta críticas pela forma como o Departamento de Justiça geriu a publicação dos materiais relacionados com o caso Epstein.

Cinco membros republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes juntaram-se a democratas para exigir que Bondi compareça perante o comité para prestar esclarecimentos sobre o processo de divulgação dos documentos.

Perante a polémica, o Departamento de Justiça afirmou que continuará a analisar os materiais e a tratar o caso conforme necessário, sublinhando que apenas foram retidos documentos relacionados com processos federais ainda em curso.

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