Os britânicos foram chamados às urnas nesta quinta-feira, 12 de Dezembro, para eleições legislativas antecipadas, convocadas pelo Governo e determinantes para o processo de saída do Reino unido da União Europeia (UE).
Os eleitores têm até às 22 horas (mesma hora em Lisboa) para votar. De seguida, as estações de televisão “BBC”, “ITV” e “Sky” divulgarão as suas sondagens de boca da urna junto dos eleitores, realizadas em 144 mesas de voto em todo o país, dando uma ideia dos resultados. No total, são 650 mini-eleições. A contagem dos votos deverá continuar pela noite dentro, com o anúncio oficial do novo primeiro-ministro a chegar na manhã de sexta-feira.
Este ano, os especialistas têm sido particularmente cautelosos nas previsões devido a erros nas legislativas de 2017, quando a maioria das projecções não antecipou que os conservadores, então liderados pela antiga primeira-ministra Theresa May, viesse a perder a maioria absoluta.
A poucas horas de ser conhecido o resultado das eleições, eis os cinco cenários possíveis, de acordo com o “The Independent”:
1. Conservadores perdem 71 lugares no Parlamento. Corbyn eleito por maioria
Apesar de todas as sondagens apontarem para a vitória dos conservadores, com uma maioria «relativamente confortável» os trabalhistas podem ainda sair destas eleições com o maior número de deputados se o voto útil acabar por influenciar os resultados. Para vencer, um deputado terá de ser o mais votado no seu círculo eleitoral.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, já anunciou que, se vencer, vai colocar o Brexit em pausa, para renegociar o acordo com a UE e fazer um segundo referendo, caso no final da fase de negociações não se tenha chegado a nenhuma conclusão. A concretizar-se, o calendário do Brexit ia arrastar, uma vez que para um montar um referendo são necessários, pelo menos, seis meses.
2. Hung parliament. Corbyn vence sem maioria absoluta
Neste caso, nenhum partido teria maioria para aprovar leis e, assim, os conservadores poderiam vir a ter dificuldades para aprovar a legislação do Brexit e concluir o divórcio inglês a 31 de Janeiro, tal como previsto no último acordo de prorrogação do prazo de saída.
Podem também fazer-se coligações entre partidos, que formem uma maioria. Nas eleições de 2017, os conservadores fizeram um acordo com o Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP, na sigla em inglês), para constituir o Governo minoritário, na altura liderado por May.
3. Hung parliament. Mais do mesmo
4. Vitória renhida para os conservadores
Boris Johnson vence as eleições, mas sem maioria, como aconteceu em 2015 com David Cameron. Sem uma vitória esmagadora, o acordo de saída é aprovado, mas o que se segue pode vir a ser muito diferente, com os deputados anti-Brexit a ganharem peso em futuras negociações.
5. Conservadores eleitos por maioria absoluta
O líder do Partido Conservador, Boris Johnson, vence com uma maioria expressiva de 347 ou mais deputados no Parlamento, o que lhe permitirá concluir o divórcio inglês a 31 de Janeiro, tal como previsto no último acordo de prorrogação do prazo de saída.
Na última sondagem YouGov, os conservadores surgem num primeiro lugar confortável, com 43% das intenções de voto, o que dá uma vitória por maioria absoluta a Boris Johnson. A concretizar-se, esta será a maior vitória dos conservadores em mais de três décadas. Esta projecção dá 359 lugares, um número superior ao que tinha sido alcançado na eleição encabeçada pela então primeira-ministra Theresa May.
Contudo, a saga não termina aqui: nada vai mudar, devido ao período de transição que prevê atenuar o impacto da saída do Reino Unido da Europa. Londres terá até 31 de Dezembro do próximo ano para negociar a futura relação com o bloco.














