‘Novo normal’: Pandemia pressiona aumento de violência política e mudanças nas normas económicas

Três em cada cinco países desenvolvidos estão em risco de enfrentar episódios de desordem civil. Previsões apontam também para um aumento dos ataques terroristas protagonizados por militantes da extrema-direita.

Sónia Bexiga

As medidas extraordinárias de saúde pública e a quebra abrupta do comércio global estão a gerar uma maior pressão nas economias e governos de todo o mundo, ao mesmo tempo que começam a contribuir para uma mudança do panorama geopolítico a longo prazo.

Esta é a principal conclusão do Risk Maps 2020, um relatório da Aon que visa identificar e analisar os riscos políticos, de terrorismo e de violência política a nível global, com o intuito de ajudar as empresas a responder às consequências que estes fenómenos podem ter nos seus negócios.

Com um especial foco na atual pandemia, o documento objetiva ainda demonstrar a influência que a Covid-19 está a exercer a nível socioeconómico. Exemplo disso são os países que dependem bastante de setores como o turismo e o retalho (dois dos mais afetados pelas medidas de confinamento), ou que apresentam uma elevada taxa de vítimas mortais para a pandemia, que neste momento incorrem num maior risco de enfrentar protestos ou confrontos civis contra os órgãos governamentais (um risco que já elevado antes do surgimento do novo coronavírus).

De acordo com o novo relatório, três em cada cinco países desenvolvidos estão em risco de enfrentar episódios de desordem civil, o que para Carlos Freire, Deputy CEO da Aon Portugal, é um cenário preocupante: “uma maior ocorrência deste tipo de fenómenos traz não só uma maior instabilidade social e política, como também um impacto negativo na atividade das empresas, refletido em repetidas interrupções nas cadeias de distribuição, redução da produtividade, destruição e roubos de espaços e recursos, e até perdas nas receitas”.

“Como agravante surgiu ainda a pandemia de Covid-19, que veio despoletar um maior descontentamento das pessoas face às medidas de contenção do vírus adotadas pelos diferentes países”. reforçou.

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A par, também o aumento dos ataques terroristas organizados por militantes da extrema-direita, sobretudo em países do Ocidente, deve ser motivo de preocupação das empresas. Segundo o estudo, o número de ataques de extrema-direita duplicaram desde 2016, uma tendência que se prevê manter-se em 2020.

Destaque, neste âmbito, para os Estados Unidos da América, para a Alemanha e para a França, que foram em 2019 os três países com maior número de ataques sofridos, com 53, 17 e 8% do total de episódios, respetivamente.

Ainda na lista de riscos de terrorismo apontados pelo documento está a utilização de drones para a concretização de ataques terroristas, organizados particularmente por grupos de terroristas islâmicos. Só em 2019, tal como descreve o relatório, nove dos maiores aeroportos do mundo sofreram incidentes com drones, tendo como consequência a não realização de voos.

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Quanto ao risco político, o relatório destaca três fatores que podem colocar em causa o negócio das empresas: primeiro, o risco de imposição de restrições comerciais entre países, que impedem ou dificultam a globalização da economia (tal como acontece com as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão, e que já se refletem na quebra do PIB do país); em segundo lugar, o risco de interferência política na economia, sobretudo em forma de expropriação, um cenário que afasta possíveis investimentos privados; por fim, o risco de controlo da moeda, dado que a flutuação nos valores monetários leva à imprevisibilidade de receitas e custos e, por sua vez, ao desinvestimento das empresas em determinada economia.

Portugal como um dos países mais seguros face ao risco de terrorismo

Para além da identificação dos principais riscos políticos, de terrorismo e de violência política, o Risk Maps 2020 apresenta também o nível de exposição dos diferentes países a estes cenários. A respeito do risco de terrorismo, Portugal surge como um dos países mais seguros da Europa, com um nível de exposição baixo, sendo acompanhado na mesma categoria por países como Finlândia, Irlanda e Holanda. Em contrapartida, França, Grécia e Polónia são dos países europeus com maior nível de exposição ao risco de terrorismo.

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