Novo estudo sugere que a Covid-19 se propagou pelo mundo no final de novembro

Um estudo realizado por uma equipa de cientistas do Instituto de Genética da ‘University College London’ (UCL) sugere que o novo coronavírus espalhou-se pelo mundo, depois da primeira infecção na China, que deverá ter ocorrido no final de Novembro de 2019, de acordo com a agência ‘Reuters’.

Depois de uma análise em mais de 7600 pacientes de todo o mundo, foram descobertas quase 200 mutações genéticas recorrentes do novo coronavírus, que segundo os especialistas, demonstram a forma como o vírus pode estar a evoluir à medida que se espalha na população.

François Balloux, professor da UCL e co-autor do estudo, disse que os resultados mostraram que existe uma grande proporção da diversidade genética global do vírus que causa a Covid-19, em todos os países mais afectados pela pandemia. Um facto que sugere que o vírus já se estava a propagar de forma extensa ao redor do mundo desde o início da epidemia, em Dezembro de 2019.

«Todos os vírus mudam naturalmente. Mutações em si não são uma coisa má e não há nada que sugira que o novo coronavírus esteja a sofrer mutações mais rápidas ou mais lentas do que o expectável», disse Balloux. «Até agora, não podemos dizer se o vírus se está a tornar mais ou menos letal ou contagioso», afirma.

«O vírus está a mudar mas isso por si só não significa que está a ficar pior», disse o especialista citado pela ‘CNN’.

O estudo analisou amostras recolhidas em alturas e locais distintos, concluindo que o vírus começou a infectar pessoas no final do ano passado.

«Isto exclui qualquer cenário que suponha que o SARSCoV-2 possa estar em circulação muito antes de ser identificado e, portanto, ter já infetado grandes proporções da população», escreveu a equipa de Balloux no seu relatório, publicado na revista Infection, Genetics and Evolution.

Ao contrário do que possa parecer esta não é uma boa notícia, uma vez que elimina qualquer esperança de que o vírus circulasse já há muitos meses, podendo existir alguma imunidade em populações. «Toda a gente estava à espera disso. Eu também», disse Balloux.

A equipa de investigação refere ainda que «Os nossos resultados estão alinhados com as estimativas anteriores e apontam para todas as sequências que partilham um ancestral comum até ao final de 2019, o período em que o SARS-CoV-2 deu o salto para o hospedeiro humano».

«É muito recente», disse Balloux. «Estamos muito, muito confiantes de que o salto para o ser humano aconteceu no final do ano passado», afirma.

O estudo revela ainda evidências genéticas que sustentam suspeitas de que o vírus estava a infectar pessoas na Europa, EUA e outros países semanas antes dos primeiros casos oficiais serem relatados em Janeiro e Fevereiro.

«Será impossível encontrar o “primeiro” paciente em qualquer país», aponta François Balloux, que acrescenta ainda que «Todas essas ideias sobre a tentativa de encontrar um paciente zero são inúteis porque existem muitos pacientes zero».

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