Novo estudo: Covid-19 causa inflamação cerebral similar à doença de Parkinson e aumenta risco de doenças neurodegenerativas

“Os resultados que observámos podem explicar porque algumas pessoas que tiveram Covid-19 apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de sintomas neurológicos similares à doença de Parkinson”, sustenta Balmaceda.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma investigação liderada pela Universidade de Queensland revelou que a Covid-19 causa uma inflamação no cérebro, semelhante à originada pela doença de Parkinson, que pode resultar num risco futuro acrescido de quem fica infetado com o SARS CoV-2 desenvolver doenças neurodegenerativas.

“Estudámos um efeito do vírus nas células imunitárias do cérebro, a ‘microglia’, que são as células-chave envolvidas na progressão de doenças cerebrais como o Parkinson ou o Alzheimer. A nossa equipa cultivou microglia no laboratório e infetou-as com o SARS CoV-2, o vírus que causa a Covid-19”, explica o Professor Woodruff, um dos envolvidos no estudo recentemente publicado na revista Nature.

“Descobrimos que as células ficaram ‘zangadas’, e ativaram o mesmo caminho desencadeado pelas proteínas do Parkinson e o Alzheimer, os inflamassomas”, continua o investigador.

Com efeito, a proteína ‘spike’ da Covid-19 foi o suficiente para desencadear o processo de inflamação cerebral, que pode ser exacerbado quando se verifica a existência de proteínas no cérebro ligadas à doença de Parkinson.

Albornoz Balmaceda, outros dos cientistas envolvidos, afirma que ao desencadear o caminho dos inflamassomas, foi gerado um ‘fogo’ no cérebro, que começou o processo crónico e sustentado de morte de neurónios. “No fundo, é como se fosse um assassino silencioso, porque os sintomas só se verificam exteriormente ao fim de muitos anos”, defende.

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Os investigadores sustentam assim que pessoas que tiveram Covid-19 têm mais risco de desenvolveram outras doenças neurodegenerativas no futuro. “Os resultados que observámos podem explicar porque algumas pessoas que tiveram Covid-19 apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de sintomas neurológicos similares à doença de Parkinson”, sustenta Balmaceda.

“Se alguém já tiver predisposição para o Parkinson, ter Covid-19 pode ser combustível acrescentado ao ‘fogo’ desencadeado no cérebro. O mesmo aplica-se a quem tem predisposição para o Alzheimer, demência ou outros problemas ligados aos inflamassomas”, acrescenta Woodruff.

Mas há boas notícias: poderá haver tratamento para esta potencial sintomatologia. Foram aplicados medicamentos que estão a ser usados em ensaios clínicos com doentes com Parkinson, com algum sucesso.

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“Descobrimos que bloqueiam com sucesso o caminho inflamatório desencadeado pela Covid-19, essencialmente extinguindo o tal ‘fogo’ no cérebro. O medicamento reduziu a inflamação cerebral em ratos infetados com Covid-19 e também em células microglia humanas, sugerindo um possível tratamento para prevenir neurodegeneração futura”, explica Balmaceda.

Os investigadores afirmam que investigação complementar é necessária, mas destacam que esta “é uma nova abordagem para tratar um vírus que, de outra forma, pode ter ramificações e efeitos na saúde a longo termo ainda desconhecidos”.

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