Só daqui a pelo menos cinco anos, ou seja em 2024, é que o novo coronavírus vai desaparecer completamente, foi esta a conclusão retirada de um estudo publicado na revista Science, com base em «estimativas de sazonalidade, imunidade e imunidade cruzada».
Esta situação não surpreende os especialistas que já há muito prevêem o cenário, devido à propagação global do surto da Covid-19, bem como às possíveis mutações que deve sofrer.
O distanciamento social é a primeira forma de combater o vírus, medida essa que já está a ser implementada, ainda que possa «precisar de meses para controlar efectivamente a transmissão e mitigar a possibilidade de ressurgimento».
A segunda forma passa pela sazonalidade, isto é o Verão. «Projectamos que ocorrerão surtos recorrentes de SARS-CoV-2 no inverno, após a onda pandémica inicial», isto significa que pode ser necessário, «até 2022, o distanciamento social prolongado ou intermitente».
Ainda não se sabe o futuro deste coronavírus: se vai seguir o exemplo do SARS-CoV-1, que provocou uma epidemia no final de 2002 – apenas 29 países e 800 mortos – e que foi contido seis meses depois, no verão de 2003; ou se será sazonal como a gripe. Ainda que cada vez mais o segundo cenário seja o apontado pelas autoridades de saúde.
Outra questão prende-se com o facto de que o SARS-Cov-1 tinha uma capacidade de transmissão muito menor do que o desta pandemia actual, um facto que explica os comportamentos tão distintos um do outro.
Neste sentido, os especialistas tiveram como exemplo outros coronavírus menos conhecidos, mas om comportamentos semelehantes: o HCoV-OC43 e o HCoV-HKU1. «As suas infeções podem ser assintomáticas ou associadas a doença leve a moderada do trato respiratório superior; e são considerados a segunda causa da constipação comum», referem os autores.
«O HCoV-OC43 e o HCoV-HKU1 causam surtos anuais de doenças respiratórias no inverno em regiões temperadas, sugerindo que o clima no inverno e os comportamentos do hospedeiro podem facilitar a transmissão, como é o caso da gripe», afirma o estudo. Ou seja, é provável que o SARS-Cov-2 se comporte da mesma forma.
Os dados recolhidos nos EUA indicam que «tanto para o HCoV-OC43 quanto para o HCoV-HKU1, o número de reprodução efetivo normalmente atingiu o seu pico entre outubro e novembro e o seu valor mínimo entre fevereiro e maio». O que significa que eles não desaparecem, têm altos e baixos.
As seguintes formas de combate à pandemia passam por uma vacina e um tratamento, ambos a serem testado nos principais laboratórios mundiais, sendo que a vacina dificilmente chegará em 2020.
Por último, a imunidade de grupo (ou seja, mais de dois terços da população já foi contagiada e recuperou). Ainda assim, «são precisos com urgência estudos sorológicos longitudinais para determinar a extensão e a duração da imunidade à SARS-CoV-2», dizem os especialistas.
Não existe actualmente nenhum país no mundo que saiba com toda a certeza quantas pessoas contraíram o vírus, uma vez que o mesmo pode ser assintomático. Os estudos sorológicos «também podem indicar se existe imunidade cruzada entre SARS-CoV-2, HCoV-OC43 e HCoV-HKU1, o que poderia afectar a transmissão pós-pandêmica de SARS-CoV-2». A existir, os autores prevêem que os surtos sazonais sejam menos intensos.
Para além disso, é necessário também saber quanto tempo dura essa imunidade. Se for perto das 40 semanas (semelhante ao HCoV-OC43 e HCoV-HKU1), «favorece o estabelecimento de surtos anuais; se for uma imunidade a longo prazo (dois anos) favorece os surtos bienais. (…) Se a imunidade ao SARS-CoV-2 for permanente, o vírus poderá desaparecer em cinco ou mais anos após causar um surto grave», referem os investigadores.




