Novas negociações de paz entre Ucrânia e Rússia marcadas para a próxima semana em Genebra

Uma nova ronda de negociações de paz entre Ucrânia e Rússia, mediada pelos Estados Unidos, vai decorrer na próxima semana, em Genebra, numa nova tentativa de aproximar posições e encontrar uma saída para a guerra desencadeada pela invasão em grande escala ordenada por Vladimir Putin.

Pedro Gonçalves

Uma nova ronda de negociações de paz entre Ucrânia e Rússia, mediada pelos Estados Unidos, vai decorrer na próxima semana, em Genebra, numa nova tentativa de aproximar posições e encontrar uma saída para a guerra desencadeada pela invasão em grande escala ordenada por Vladimir Putin, conflito que está prestes a entrar no quinto ano.

De acordo com informações avançadas pela agência estatal russa Interfax e confirmadas por responsáveis ucranianos, as delegações reúnem-se na terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de fevereiro. O gabinete do presidente Volodymyr Zelenskyy confirmou a data e o local e indicou que os preparativos logísticos e diplomáticos já estão em curso.



A delegação russa será chefiada por Vladimir Medinsky, conselheiro próximo de Putin, que já liderou a equipa de Moscovo nas conversações realizadas em Istambul no ano passado.

A sua presença está a ser encarada com reservas em Kiev. Órgãos de comunicação social ucranianos descrevem a escolha como um sinal negativo para o progresso das conversações, recordando episódios anteriores em que Medinsky terá centrado as reuniões em longas exposições históricas.

Após sessões passadas com a sua participação, elementos da delegação ucraniana criticaram-no por apresentar argumentos históricos extensos, considerados pouco produtivos para um acordo concreto. O jornal The Kyiv Independent chegou mesmo a qualificá-lo como um “pseudo-historiador”.

O próprio Zelenskyy referiu-se recentemente às intervenções do negociador russo como “uma lição de história de um manual que toda a gente já ouviu muitas vezes”.

Washington condiciona garantias de segurança
Fontes diplomáticas ouvidas pelo POLITICO indicaram que dois responsáveis europeus e um alto funcionário norte-americano transmitiram esta semana que Washington não pretende formalizar garantias de segurança para proteger a Ucrânia de futuras agressões russas enquanto não existir um acordo global que ponha termo ao conflito.

Esta posição norte-americana aumenta a pressão sobre Kiev para alcançar um entendimento mais abrangente nas negociações, ao mesmo tempo que limita compromissos prévios em matéria de defesa.

A ronda anterior de conversações decorreu no início de fevereiro, em Abu Dhabi. Paralelamente, as duas partes realizaram recentemente a primeira troca de prisioneiros desde outubro do ano passado, gesto visto como um raro sinal de cooperação num contexto de hostilidades prolongadas.

Com o conflito a aproximar-se do quinto ano, a nova reunião em Genebra surge como mais uma tentativa diplomática de travar a guerra, ainda que persistam dúvidas quanto à eficácia do processo negocial, sobretudo face à composição da delegação russa e às exigências de segurança em discussão.

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