Nova variante da gripe fecha escolas no Reino Unido e reacende fantasma da Covid-19 num inverno de máxima tensão

A lembrança dos confinamentos escolares durante a Covid-19 deixou marcas profundas no país, e o Governo britânico indicou que os estabelecimentos de ensino não devem encerrar, a não ser em circunstâncias extremas

Francisco Laranjeira

O Reino Unido enfrenta uma nova vaga de encerramentos escolares provocada por uma mutação da gripe sazonal, a subvariante H3N2, subclado K, que está a gerar números recordes de hospitalizações e a forçar medidas excecionais em várias regiões. A situação tornou-se politicamente sensível após o fecho temporário da St. Martin’s School, em Caerphilly, no País de Gales, onde mais de 250 alunos e funcionários adoeceram ao mesmo tempo, segundo o ‘El Confidencial’.

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A lembrança dos confinamentos escolares durante a Covid-19 deixou marcas profundas no país, e o Governo britânico indicou que os estabelecimentos de ensino não devem encerrar, a não ser em circunstâncias extremas. A justificação oficial sublinha que a presença regular na escola é essencial para as oportunidades futuras das crianças, uma mensagem claramente dirigida a uma sociedade que ainda vive com o trauma emocional e institucional do período pandémico.

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido atualizou entretanto as suas recomendações, sugerindo a utilização de máscaras para quem apresente sintomas gripais. O vírus sofreu mutações que lhe permitem escapar parcialmente à imunidade, resultando num pico inédito para esta época do ano: uma média de 1.717 hospitalizações diárias no final de novembro, o valor mais elevado desde que existem dados comparáveis.

Escolas reativam medidas da pandemia e casos multiplicam-se

Com o Serviço Nacional de Saúde já pressionado por greves, falta de pessoal e sobrecarga estrutural, várias escolas decidiram retomar procedimentos semelhantes aos aplicados durante a pandemia. Foram canceladas aulas, assembleias e até espetáculos de Natal. As imagens de estabelecimentos parcialmente encerrados dominaram a televisão local, alimentando o receio de um ‘déjà vu’.

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Na St. Martin’s School, o diretor Lee Jarvis determinou o fecho preventivo para desinfeção total após mais de 250 infeções. Os sintomas reportados — vómitos, febre alta, diarreia, dores de cabeça e exaustão — estão alinhados com os casos mais severos da nova subvariante neste inverno.

O Governo central teme que o aumento de encerramentos em algumas regiões seja interpretado como um regresso a um modelo criticado nos últimos dois anos. O Inquérito sobre a Covid-19, a investigação oficial à gestão da pandemia, concluiu que o fecho prolongado das escolas “paralisou a infância normal” e poderia ter sido evitado com decisões mais atempadas e consistentes.

Impacto social profundo e debate político aceso

O receio não é apenas sanitário, mas também social e económico. Estudos revelam uma deterioração significativa da saúde mental e do desenvolvimento linguístico e social de crianças e adolescentes após os confinamentos. Um relatório da Universidade de Edimburgo associa o período de fecho escolar a um aumento de 6,6% nos distúrbios de desenvolvimento em bebés e crianças pequenas.

Figuras políticas conservadoras, como Jacob Rees-Mogg, acusam algumas escolas de “repetirem a loucura da Covid por causa de uma gripe”, intensificando o debate público. A oposição alerta que decisões exageradas poderão aumentar a ansiedade social no auge do inverno.

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A nível nacional, a lista de encerramentos e medidas preventivas cresce: em Leeds, a Wigton Moor School reduziu o canto em ensaios de Natal; em Somerset, a Danesfield Middle School encerrou devido a um surto de norovírus; na Irlanda do Norte, a Ebrington Primary School registou 170 ausências num único dia, levando a medidas reforçadas.

Hospitais sob pressão enquanto se aproxima greve dos médicos

A aproximação da greve dos médicos residentes, agendada para a semana anterior ao Natal, aumenta o risco de sobrecarga no NHS. Os hospitais já ativaram protocolos de uso de máscara em zonas de maior risco e estimam precisar de entre 5.000 e 8.000 camas para doentes com gripe nos próximos dias, ultrapassando facilmente o pico do último inverno.

O Governo insiste que o país não enfrenta uma emergência nacional, mas sim um inverno complexo, no qual gerir o medo será quase tão importante como controlar o vírus.

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