Nova tentativa para eleger presidente da AR ainda hoje. Partidos apresentam candidatos até às 20h00

Após reunião da mesa provisória, ficou definido que os partidos vão apresentar novas candidaturas até às 20h00, hora em que o parlamento se volta a reunir para tentar nova eleição para Presidente da Assembleia da República.

Pedro Zagacho Gonçalves

Após reunião da mesa provisória, ficou definido que os partidos vão apresentar novas candidaturas até às 20h00, sendo que uma hora depois o Parlamento se volta a reunir para tentar nova eleição para Presidente da Assembleia da República.

O PSD decidiu retira o nome de José Pedro Aguiar-Branco como candidato a presidente da Assembleia da república, após ter sido chumbado na primeira tentativa de votação.

Joaquim Miranda Sarmento anunciou a decisão, denunciando o primeiro exemplo “da coligação negativa entre o Chega e o PS”, em resposta a André Ventura, que esclareceu que o partido poderia ter votado contra depois de alguns rostos da AD terem declarado que “não precisavam do partido de extrema-direita”.

“Talvez haja uma coligação positiva entre as duas forças e queiram apresentar um candidato à presidência da Assembleia da República”, atirou Miranda Sarmento.

André Ventura, acabou por responder em seguida ao deputado social-democrata, e diz que o PSD está a tentar entendimentos com o PS, “ignorando um milhão e 200 mil portugueses que vos deram uma mensagem clara”. Garantindo que o Chega “lutou por convergência”, mas que agora acaba por “deitar a toalha ao chão”.

Continue a ler após a publicidade

Acusando o partido de ser “egocêntrico”, Ventura terminou: “Usando uma expressão muito conhecida vossa: não é não”, disse, em referência à ‘nega’ de Montenegro a acordos de governação com o partido de Ventura.

Aguiar-Branco só teve 89 votos a favor

O deputado do PSD José Pedro Aguiar-Branco falhou a eleição para presidente da Assembleia da República com 89 votos a favor, 134 brancos e sete nulos, na primeira sessão plenária da XVI legislatura.

Continue a ler após a publicidade

O regimento da Assembleia da República determina que o presidente do parlamento é eleito na primeira reunião plenária da legislatura por maioria absoluta dos votos dos deputados em efetividade de funções (116).

“Se nenhum dos candidatos obtiver esse número de votos, procede-se imediatamente a segundo sufrágio, ao qual concorrem apenas os dois candidatos mais votados que não tenham retirado a candidatura. Se nenhum candidato for eleito, é reaberto o processo”, refere o Regimento.

António Filipe, que preside à primeira sessão plenária, declarou o candidato “não eleito”.

 

É preciso recuar a 2011, na XII legislatura, quando PSD e CDS-PP tinham maioria absoluta, para um candidato único a presidente da Assembleia da República falhar eleição: Fernando Nobre não conseguiu a necessária maioria absoluta em duas eleições consecutivas para presidente do parlamento – tendo obtido então 106 e 105 votos, nas duas rondas – e não se candidatou a uma terceira.

Continue a ler após a publicidade

Em 2015, o candidato social-democrata Fernando Negrão perdeu para o candidato do PS, Ferro Rodrigues, mas ainda assim conseguiu 108 votos contra 120, muito acima dos 89 hoje recolhidos por Aguiar-Branco.

À eleição de hoje apenas concorreu o antigo ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco, que o Chega manifestou publicamente que iria apoiar, dizendo que os sociais-democratas também dariam indicação para que fossem aprovados os seus candidatos a ‘vice’ e secretários da Mesa.

Na XVI legislatura, PSD e PS têm cada um 78 deputados, o Chega 50 parlamentares, a IL oito, o BE cinco e o PCP e o Livre quatro cada um. O PAN mantém uma deputada única e o CDS-PP regressou ao parlamento com dois deputados.

Ou seja, PSD, CDS-PP e Chega somam no total 130 parlamentares, o que deveria ser mais do que suficiente para a eleição que é, contudo, feita por voto secreto.

A eleição do presidente do parlamento na qual os 230 deputados foram chamados, por ordem alfabética, a votar numa urna no centro da sala das sessões, durou cerca de uma hora e 15 minutos. No ato do voto, os deputados assinaram pela primeira vez um termo de posse no qual juraram cumprir a Constituição.

Depois, o escrutínio foi feito pelos secretários da Mesa e funcionários do parlamento em pleno hemiciclo, sendo visível que havia um monte de votos bastante maior do que o outro, na altura sem que a comunicação social soubesse que eram os votos em branco.

Os deputados deveriam, de seguida eleger a restante Mesa da Assembleia da República, composta por quatro vice-presidentes, quatro secretários e quatro vice-secretários, um processo que não pode avançar sem estar eleito o presidente do parlamento.

*Com Lusa

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.