Ucrânia: Míssil russo que destruiu hospital pediátrico feito com componentes ocidentais. Moscovo contorna sanções através da China

A Rússia está a conseguir contornar as sanções ocidentais através do mercado chinês, utilizando componentes fabricados no Ocidente para construir mísseis que têm sido usados em ataques contra a Ucrânia.

Um míssil russo que atingiu recentemente um hospital pediátrico em Kiev continha componentes fabricados em países ocidentais, conforme revelado por especialistas ucranianos, citados pelo Financial Times.

O míssil em questão, o Kh-101, é um dos mísseis de cruzeiro mais avançados da Rússia e desempenha um papel crucial na campanha de ataques aéreos contra a Ucrânia. O Financial Times reporta que a Rússia está a fabricar quase oito vezes mais mísseis Kh-101 do que antes da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Estes mísseis dependem fortemente de componentes produzidos em países ocidentais, particularmente nos Estados Unidos.

Olena Bilousova, especialista do Instituto KSE em Kiev, alerta que “a tecnologia ocidental está a permitir que eles construam estes mísseis mais inteligentes, que permitem que os seus ataques terroristas cruzem as nossas defesas aéreas em dificuldades”. Apesar das sanções, que visam impedir a obtenção de componentes militares avançados pela Rússia, o setor de defesa do Kremlin tem recorrido a microprocessadores de tecnologia avançada, inicialmente destinados a fins não militares.

Uma análise de um míssil Kh-101 disparado em janeiro identificou 16 componentes eletrónicos de fabrico ocidental. Entre eles, estavam peças da STMicroelectronics, sediada na Suíça, e de fabricantes de chips dos EUA, como Texas Instruments, Analog Devices e Intel. Embora estas peças não sejam destinadas a uso militar, empresas russas conseguiram adquiri-las através da China.

Embora os documentos russos revelem que as peças foram fabricadas no Ocidente, o Financial Times verificou que as componentes usadas no Kh-101 lançado em janeiro foram fabricadas na China, Malásia, Filipinas, Taiwan ou Tailândia. Segundo um relatório do gabinete do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um míssil Kh-101 pode conter mais de 50 peças diferentes produzidas no estrangeiro.

A revelação de que a Rússia está a conseguir adquirir componentes ocidentais através de intermediários asiáticos levanta preocupações sobre a eficácia das sanções. Esta situação também destaca a complexidade do comércio global de componentes eletrónicos e a dificuldade em controlar a sua utilização final.

As descobertas do Financial Times sublinham a necessidade de uma vigilância mais rigorosa e de medidas mais eficazes para garantir que as sanções sejam cumpridas e que os componentes de alta tecnologia não sejam desviados para fins militares.

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