“Retirar a fruta podre das Forças de Segurança”: Ministra promete tolerância zero para crimes de ódio e movimentos radicais de polícias

A Ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, afirmou que não pactua com movimentos radicais dentro das forças de segurança e destacou a importância de uma formação contínua para eliminar elementos desestabilizadores.

Blasco frisou ainda a necessidade de modernizar a polícia e garantiu que “imigração e criminalidade não casam”, emm entrevista conjunta à TSF e ao Diário de Notícias.

As negociações entre o Governo e os sindicatos dos polícias resultaram num aumento de 300 euros, num acordo assinado nos últimos dois dias, apesar de nem todos os sindicatos terem subscrito o acordo. “Este é apenas um dos temas que temos de abordar relativamente às forças de segurança do Ministério da Administração Interna (MAI)”, disse a ministra. “Encerrámos este período que é apenas o suplemento de missão. Acordámos nos 300 euros, 200 que serão pagos a partir de 1 de julho até ao final do ano. Mais 50 euros em 2025 e 50 em 2026, 14 vezes ao ano”, explicou.

Blasco destacou que este acordo é um marco histórico, pois nunca antes os polícias tinham recebido um aumento tão significativo em tempos de democracia. A ministra também mencionou que as negociações sobre a revisão do estatuto e das carreiras começarão em janeiro de 2025.

Questionada sobre se se sentiu desautorizada pelo primeiro-ministro quando este declarou que não haveria “nem mais um cêntimo” para os polícias além dos 300 euros propostos, Blasco respondeu: “Não me senti desautorizada. Senti-me, pelo contrário, com aquilo que era necessário.” Ela acrescentou que o primeiro-ministro estava a dar respaldo à decisão já tomada e que o Governo tinha que considerar as finanças públicas e outras classes profissionais em negociações.

Quando perguntada sobre a tentativa de instrumentalização dos polícias pelo partido CHEGA, Blasco afirmou que os sindicatos não se sentem vinculados a esses movimentos. “Tenho uma visão dos polícias, de todos, quer da GNR, quer da PSP, muito responsável. Sei que posso contar com eles e eles podem contar comigo”, afirmou.

A ministra destacou a sua posição firme contra movimentos radicais dentro das forças de segurança, lembrando o período em que era inspetora-geral da Administração Interna. “Tenho tolerância zero a isso. Os polícias são cidadãos, mas não são uns cidadãos quaisquer. São cidadãos que defendem a ordem pública, defendem o cidadão. Garanto que nem a ministra, nem o governo, nem as direções nacionais, nem os Comandos pactuam com movimentos radicais.”

Margarida Blasco reconheceu as condições difíceis em que muitos polícias trabalham e destacou a importância de uma avaliação contínua das infraestruturas e das necessidades das forças de segurança. “Pedi, quer ao comando-geral da GNR, quer à direção nacional da PSP, que me fizesse um levantamento das condições de todas as instalações”, explicou. Ela enfatizou que é necessário adaptar o dispositivo policial às necessidades reais da população, especialmente em áreas rurais e em grandes cidades.

A ministra sublinhou a importância da formação contínua e da modernização das técnicas policiais. “A formação que estamos a dar, a formação para a qual queremos evoluir, vai, efetivamente, retirar a fruta podre do grande cesto que são as forças de segurança.” Ela também mencionou a necessidade de atrair mais jovens para a profissão e de adaptar a formação às novas ameaças, como o cibercrime.

Blasco reiterou o seu compromisso com a formação em direitos humanos e a luta contra os crimes de ódio. “Não há abertura nenhuma nem complacência”, afirmou. A ministra destacou que o Governo está a trabalhar em conjunto para combater a xenofobia e outras formas de discriminação, envolvendo várias entidades e programas direcionados para escolas, universidades e eventos.

Sobre a perceção de segurança em Portugal, Blasco foi clara: “Criminalidade e imigração não casam.” Ela assegurou que a imigração não contribui para a criminalidade no país e destacou a importância de programas como o Campo Seguro, que será atualizado para melhor responder às necessidades das populações rurais.

Questionada sobre se tenciona cumprir o mandato até ao fim, Margarida Blasco respondeu de forma contundente: “Claro, óbvio que é um compromisso e eu sou uma mulher de compromissos.”

A ministra concluiu a entrevista destacando a importância das forças de segurança para a estabilidade e segurança do país, reafirmando o compromisso do Governo em apoiar e melhorar as condições de trabalho dos polícias em Portugal.

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