Rendas atingem máximos de 5 anos em Portugal

A crise no mercado de arrendamento em Portugal continua a agravar-se, com as rendas a atingirem um valor máximo nos últimos cinco anos em junho de 2024. Este aumento contínuo das rendas, embora mais lento, reflete a insuficiência da oferta de habitação para responder à alta procura existente no país.

Desde 2019, o mercado de arrendamento em Portugal tem registado um claro crescimento nas rendas, com o valor mediano a subir de 11,4 euros por metro quadrado (m²) em junho de 2019 para 16,2 euros/m² em junho de 2024. Este aumento de 41% reflete um desequilíbrio crescente: enquanto a procura de casas para arrendar aumentou 165% entre o primeiro trimestre de 2019 e o mesmo período de 2024, a oferta cresceu apenas 36%.

Especialistas apontam que fatores como o risco do arrendamento, a instabilidade legislativa e os elevados impostos sobre as rendas têm travado a chegada de novas casas ao mercado de arrendamento. Este desequilíbrio é particularmente acentuado em Lisboa e no Porto, onde a procura superou largamente a oferta, resultando em aumentos significativos das rendas.

Em Lisboa, a procura de casas para arrendar mais que duplicou desde o início de 2019, enquanto a oferta cresceu apenas 5%. Consequentemente, as rendas aumentaram 43% em cinco anos, atingindo 21,5 euros/m² em junho de 2024, um dos maiores valores de sempre na capital.

No Porto, a procura também mais que duplicou, enquanto a oferta aumentou 74%, mas ainda assim insuficiente para acompanhar o crescimento da procura, que foi de 122%. Este desajuste resultou numa subida de 61% nas rendas, fixando-se em 17,2 euros/m² em junho de 2024.

Para mitigar a crise de acesso ao arrendamento, o Governo liderado por Montenegro tem implementado várias medidas. Entre elas estão o alargamento do apoio à renda e do programa Porta 65 Jovem. Adicionalmente, medidas fiscais como a redução do IVA de 23% para 6% em projetos de Build to Rent e descontos fiscais para investidores em fundos imobiliários que promovam o arrendamento acessível estão em preparação.

O antigo Governo de Costa também implementou medidas para apoiar as famílias, como o apoio extraordinário à renda de 200 euros e um limite de 2% na atualização de rendas em 2023 e nos novos contratos de arrendamento em 2024.

Apesar das medidas governamentais, a crise no acesso ao arrendamento em Portugal não parece ter fim à vista no curto prazo. No último ano, a confiança no mercado foi abalada pela alta inflação e subida dos juros nos créditos habitação, levando a uma queda de 36% na procura de casas para arrendar entre o início de 2023 e os primeiros meses de 2024. Mesmo com um aumento de 81% na oferta de habitação no território nacional, as rendas continuaram a subir, embora a um ritmo mais lento.

Em Lisboa, a oferta duplicou, mas a procura caiu 48%, resultando numa subida das rendas de 8%. No Porto, a procura também diminuiu 36%, com a oferta duplicando, mas as rendas aumentaram 13%.

Este cenário mostra a crescente dificuldade das famílias portuguesas em pagar as rendas, com a taxa de esforço a aumentar significativamente nos últimos anos. No início de 2024, as famílias destinavam em média 81% do seu rendimento disponível ao pagamento da renda, um aumento significativo face aos 71% no início de 2023.

 

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