Reino Unido pode falhar compromisso com a NATO: número de efetivos militares não era tão baixo desde as guerras napoleónicas

O Reino Unido poderá ter dificuldades em cumprir o seu compromisso com a NATO devido ao facto de o número de efeitos das forças armadas britânicas ter caído para o ponto mais baixo desde as guerras napoleónicas (1803-1815), garantiu esta segunda-feira um ex-chefe da Defesa britânico.

De acordo com os últimos números do Ministério da Defesa, quase 7 mil pessoas deixaram as Forças Armadas britânicas em 2022, deixando o número total de efetivos em 190.170. O exército foi o que sofreu a maior queda, com 4% do pessoal a abandonar o serviço o ano passado, reduzindo o efeito para 114.210. Sem incluir as reservas do exército, este número é de 78.060 para tropas regulares, sendo que o Ministério da Defesa pretende reduzir ainda mais este número para 73 mil.

De acordo com Lord Dannatt, chefe do Estado-Maior do exército britânico entre 2006 e 2009, a falta de tropas significa que o Reino Unido seria incapaz de repetir operações simultâneas. “Não seríamos capazes hoje de fazer o que fizemos no Iraque e no Afeganistão em 2008, quando tínhamos 10 mil soldados no Iraque, 10 mil soldados no Afeganistão, em rotação a cada seis meses”, acrescentou.

“Poderíamos fazer isso então com um exército regular de mais de 100 mil homens. Não poderíamos fazer isso hoje com um exército regular de apenas 73 mil”, reforçou.

Os números apontaram ainda que o efetivo da Marinha Real e dos Fuzileiros Navais Reais caiu 3,2%, para 38.990, em comparação com 39.990 no início de 2022. Já os números da RAF (Força Aérea) caíram 2,6%, para 36.970, durante o ano até 1 de janeiro de 2023.

Apesar de ser o maior gastador da NATO na defesa, depois dos Estados Unidos, crescem as dúvidas de que o Reino Unido possa continuar a cumprir as suas obrigações para com a aliança militar. De acordo com John Healey, porta-voz da defesa do Partido Trabalhista, “os ministros conservadores deveriam aproveitar a oportunidade que têm agora para reiniciar os planos de Defesa, cumprir as nossas obrigações na NATO e renovar o contrato moral da Grã-Bretanha com as nossas forças armadas.”

“À medida que aumentam as ameaças, os conservadores estão a esvaziar as nossas forças armadas, reduzindo o Exército Britânico ao seu menor tamanho desde Napoleão”, sublinhou, garantindo que a satisfação caiu “para quase 40% e as taxas de retenção estão a diminuir, o que leva a que mais pessoas abandonem as forças armadas do que as que ingressam”.

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