Putin planeia coligação militar para rivalizar com Ocidente e NATO, denunciam especialistas

A retórica de Vladimir Putin sobre uma coligação de segurança da Eurásia faz parte de um plano do Kremlin para criar um grupo de países amigos de Moscovo para rivalizar com o Ocidente e a NATO, denuncia esta segunda-feira o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

A avaliação do think tank sediado em Washington DC (Estados Unidos) segue-se à visita de Putin à Coreia do Norte que, segundo revela um especialista em segurança internacional à revista ‘Newsweek’, “aprofundou uma relação de conveniência já intensificada” entre Moscovo e Pyongyang.

Recorde-se que Putin indicou, na passado sexta-feira, que Moscovo está pronta para discutir questões de segurança da Eurásia com a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) liderada pela Rússia e pela China, a Comunidade de Estados Independentes (CEI) liderada por Moscovo e a União Económica da Eurásia (EAEU), bem como as nações do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irão, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o presidente russo, num discurso a militares graduados no palácio do Kremlin em Moscovo, os planos russos visam “criar uma segurança igual e indivisível na Eurásia”, e fez eco aos comentários do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, durante numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros em Almaty, no Cazaquistão, sobre os esforços de Moscovo para formar uma “arquitetura de segurança eurasiana” para substituir o sistema de segurança euro-atlântico.

Segundo a ISW, Lavrov referia-se aos esforços de Moscovo para aumentar a cooperação com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) após a visita de Estado de Putin ao Vietname, que ele incluiu na sua ideia da Eurásia, além da Coreia do Norte.

O grupo de reflexão dos EUA disse que Putin ​​provavelmente impulsionará os esforços da Rússia para criar uma coligação “para se posicionar como uma alternativa à NATO”, ao mesmo tempo que tentarão “retratar falsamente os países ocidentais como os únicos apoiantes da Ucrânia”.

Na sua primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século, os países acordaram um pacto de defesa mútua, à medida que Moscovo recorre cada vez mais ao estado isolado à procura munições para ajudar as forças russas na Ucrânia.

“A nova parceria aprofundou uma relação de conveniência já intensificada”, salienta Gabrielle Reid, diretora associada da empresa de inteligência estratégica S-RM: a cooperação “será silenciada e continuará a ser motivada pela necessidade, e não pela intenção de intensificar simultaneamente as suas respetivas agendas agressivas de política externa”.

“A China também manteve distância do acordo para evitar danos evidentes à cooperação com os parceiros comerciais ocidentais ou dar destaque indevido ao acordo como um acordo tripartido”, acrescenta Reid.

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