Primeiro-ministro palestiniano quer restabelecer unidade após fim da guerra

O primeiro-ministro palestiniano, Mohammad Mustafa, declarou hoje em Bagdade, Iraque, que a Autoridade Palestiniana instalada na Cisjordânia ocupada está preparada para restabelecer uma direção palestiniana “unificada” após o final da guerra na Faixa de Gaza.

Na sequência dos confrontos entre as duas principais fações em 2007, a liderança palestiniana está dividida entre a Autoridade Palestiniana, liderada pela Fatah de Mahmud Abbas, e o movimento islamista Hamas que desde essa data controla a Faixa de Gaza.

“Enquanto palestinianos, estamos prontos a assumir as nossas responsabilidades no dia seguinte [do fim da guerra em Gaza] para ajudar (…) a restaurar a unidade do povo e a direção palestinianas”, declarou Mustafa em conferência de imprensa, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano, Fuad Hussein.

“É ainda necessário preparar a criação de um Estado [palestiniano] e às responsabilidades que daí decorrerem”, acrescentou, alguns dias após o reconhecimento do Estado da Palestina pela Espanha, Irlanda e Noruega.

Na terça-feira, a Eslovénia juntou-se a estes países e também reconheceu oficialmente o Estado da Palestina.

O desempenho da Autoridade Palestiniana após a guerra permanece incerto, devido à sua limitada influência em Gaza e à recusa do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em admitir um futuro Estado palestiniano.

Nos últimos dias têm sido reveladas dissensões no topo do Estado israelita em torno do cenário do pós-guerra na Faixa de Gaza, num momento em que o Governo afirma conduzir uma “batalha decisiva” para aniquilar o movimento islamita palestiniano Hamas.

No final de março, os Estados Unidos consideraram que uma “Autoridade Palestiniana reformulada” poderia fornecer o contributo para “criar as condições de uma estabilidade na Cisjordânia e em Gaza”.

Uma ideia rejeitada por Netanyahu, para quem a Autoridade Palestiniana, expulsa de Gaza em 2007 pelo Hamas e que acusa de “apoiar” e “financiar o terrorismo”, não constitui “certamente” uma opção para dirigir o enclave palestiniano.

O conflito em curso na Faixa de Gaza foi desencadeado pelo ataque do grupo islamita Hamas em solo israelita de 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, segundo as autoridades israelitas.

Desde então, Telavive lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza que até ao momento provocou mais de 36.500 mortos e 82.000 feridos segundo o Hamas, classificado como “organização terrorista” por Israel, União Europeia e Estados Unidos.

Calcula-se ainda que 10.000 palestinianos permanecem soterrados nos escombros após cerca de oito meses de guerra, que também está a desencadear uma grave crise humanitária.

O conflito causou também quase dois milhões de deslocados, mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária, com mais de 1,1 milhões de pessoas numa “situação de fome catastrófica” que está a fazer vítimas – “o número mais elevado alguma vez registado” pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

Também na Cisjordânia e em Jerusalém leste, ocupados por Israel, pelo menos 510 palestinianos foram mortos pelas forças israelitas ou por ataques de colonos desde 07 de outubro.

Ler Mais