Ondas de calor? Romanos já tinham sistemas engenhosos para combater as altas temperaturas

Com a chegada do verão, as ondas de calor tornam-se uma realidade frequente em grande parte de Portugal. Para enfrentá-las, os portugueses recorrem ao ar condicionado, gelados, piscinas e outras opções refrescantes. No entanto, como lidavam as civilizações antigas com as altas temperaturas? A resposta pode surpreender. Os romanos, por exemplo, desenvolveram métodos engenhosos para combater o calor insuportável na Cidade Eterna.

Os romanos demonstraram uma habilidade notável para se adaptar ao seu ambiente, desenvolvendo diversas estratégias eficazes para lidar com o calor. Os imperadores e aristocratas, durante o verão, costumavam fugir da urbe e retiravam-se para as suas luxuosas vilas marítimas, principalmente concentradas no golfo de Nápoles.

Há cerca de dois mil anos, os verões romanos eram especialmente quentes. Esta informação foi documentada em textos antigos, como os de Teofrasto, que mencionava a possibilidade de plantar palmeiras na Grécia, embora estas não dessem frutos. Plínio, o Velho, observou que as faias, que cresciam apenas a baixas latitudes, já se tinham tornado árvores de montanha.

Os romanos tinham os seus próprios sistemas de refrigeração, embora estes privilégios fossem reservados principalmente para os nobres e os membros das classes sociais mais altas. Os restantes habitantes de Roma viviam amontoados em insulae, blocos de apartamentos de vários andares.

Eram considerados diversos fatores ao construir uma residência, nunca negligenciando a orientação da casa em relação ao sol e o fluxo de ar, essenciais para refrescar as domus durante o verão. Para uma boa ventilação, posicionavam portas e janelas em extremidades opostas das salas, criando correntes de ar naturais.

Além disso, os aquedutos desempenhavam um papel crucial no verão, transportando água que os patricios usavam não só para beber, mas também para molhar as paredes exteriores das suas casas, ajudando a refrescar o interior.

As ‘Casas de Gelo’

Um exemplo fascinante da sofisticação romana são as “casas de gelo”. Embora não fossem extremamente comuns, estas estruturas refletem o engenho da engenharia romana. Eram poços com paredes revestidas de palha ou serrim e um teto abobadado de paredes grossas, enchidos com neve durante o inverno para serem usados nos meses quentes e, em alguns casos, durante todo o ano.

O consumo de gelo e neve era geralmente reservado para as classes altas devido ao custo e esforço envolvidos na recolha, armazenamento e conservação. Suetónio, um historiador romano que viveu entre os séculos I e II d.C., mencionou na sua obra “Vida dos Doze Césares” o uso de neve pelo imperador Nero, que “prolongava as suas refeições do meio-dia até à meia-noite, tomando banhos quentes ou, durante o verão, banhos refrescados com neve”.

Suetónio também referiu outras técnicas de refrigeração usadas pelo imperador Augusto: “No verão, dormia com as portas do quarto abertas e muitas vezes sob o peristilo do seu palácio, onde o ar era refrescado por várias fontes de água e onde tinha um escravo encarregado de o abanar”.

As “casas de gelo” eram mais comuns em regiões onde a neve e o gelo eram acessíveis no inverno, como as áreas montanhosas ou do norte do Império Romano. Estas soluções evidenciam o engenho e a capacidade de adaptação dos romanos, que utilizavam técnicas avançadas de recolha, armazenamento e conservação de gelo para melhorar a qualidade de vida durante o verão.

Embora estas práticas fossem principalmente acessíveis às classes altas, refletem o sofisticado conhecimento de engenharia e ciência existente na antiga Roma.

Os romanos, com a sua capacidade de inovação, deixaram um legado de soluções engenhosas para enfrentar desafios ambientais, demonstrando que a necessidade é realmente a mãe da invenção.

Ler Mais