‘New York Times’ apela à substituição de Biden na corrida eleitoral nos EUA

O conselho editorial do jornal ‘The New York Times’ apelou hoje abertamente ao Partido Democrata para que promova um novo candidato às presidenciais norte-americanas e que demonstre a Joe Biden que não tem condições de derrotar Donald Trump.

O jornal mais influente entre os meios de comunicação social progressistas norte-americanos já publicou artigos de opinião apelando à saída de Biden, mas desta feita publicou um editorial assinado por toda a direção a instar os líderes do partido a “falarem energicamente com o Presidente e o público sobre a necessidade de um novo candidato”.

O título recorda que Biden “não deve tentar desempenhar dois dos trabalhos mais difíceis e exigentes do mundo ao mesmo tempo: servir como Presidente e fazer campanha para a presidência”.

De acordo com o editorial, os pesos-pesados do Partido Democrata estão a agir por respeito a Biden e por calcularem que podem ser mais influentes com conselhos privados do que com críticas públicas.

Mas “uma campanha de sussurros é inadequada neste momento, porque o momento é urgente: quanto mais Biden se agarrar à sua nomeação, mais difícil será substituí-lo”.

O conselho editorial citou uma sondagem realizada na semana passada pelo mesmo jornal, na qual 74% dos inquiridos concordaram que Biden é demasiado velho (81 anos) para permanecer no cargo, uma percentagem que subiu cinco pontos após o seu desempenho negativo no debate televisivo com o candidato republicano e antigo Presidente Donald Trump.

Para o jornal, Biden presta pouca atenção aos seus próprios eleitores “e coloca o país em grave risco quando insiste que é o melhor democrata para vencer Trump”.

O editorial termina acusando Biden de ambição cega: “À medida que a situação se torna mais crítica, (Biden) passou a considerar-se indispensável. Não parece compreender que ele é o problema e que a melhor esperança para os democratas manterem o controlo da Casa Branca é que ele se afaste”.

Várias vozes democratas consideram que chegou a altura de Biden se retirar, permanecendo a dúvida se haverá uma investida coordenada nesse sentido.

Outras dúvidas surgiriam também quanto à vontade de Biden aceitar retirar-se e, mesmo perante essa decisão, o Partido Democrata teria apenas algumas semanas para organizar a sua sucessão, correndo o risco de haver divisões internas e uma convenção de nomeação caótica em Chicago, em agosto.

Neste cenário inteiramente hipotético, o novo candidato teria pouco mais de dois meses para fazer campanha antes das eleições de 05 de novembro.

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