O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel defendeu a demissão do ministro das Finanças, na sequência da alegada falha de comunicação entre o primeiro-ministro e Mário Centeno sobre a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco, antes de ser conhecido o resultado de uma auditoria ao período entre 2000 e 2018. Para Rangel, esta situação veio mostrar que Centeno «não tem idoneidade» para governar o Banco de Portugal quando deixar o Ministério das Finanças.
«Aquilo que em qualquer país normal aconteceria e, se um ministro das Finanças ocultou – ele já disse que ocultou -, evidentemente que ele tem que tirar consequências disso. Ou tem de ser demitido ou tem de se demitir», disse Rangel, em declarações ao programa “Casa Comum” da rádio “Renascença”.
No entender do social-democrata, a transferência de mais 850 milhões de euros para a instituição bancária deveria ter sido «muito bem» comunicada, porque atravessamos em Portugal «um momento em que estamos a falar de centenas e de milhares de milhões para salvar a economia e de prejuízos» e «se há a necessidade de fazer isso para salvar um banco e evitar uma crise maior, isto tem de ser muito bem comunicado nesta altura». «Não é uma coisa que uma pessoa se lembre no seu gabinete de fazer sem avisar o primeiro-ministro», atirou.
Para eurodeputado do PSD, também o comportamento de António Costa é «indesculpável». «Qual é o Governo, num país civilizado, em que uma matéria desta gravidade é tratada com um pedido de desculpas pueril? Isto não pode ser», insistiu.
O Novo Banco, recorde-se, recebeu um novo empréstimo público no valor de 850 milhões de euros. A verba foi transferida, na semana passada, para o Fundo de Resolução sob a forma de um empréstimo, que injectou 1.037 milhões de euros, destinados à recapitalização do banco.
Na sexta-feira, Costa admitia que «não tinha sido informado que, na véspera, o Ministério das Finanças tinha procedido a esse pagamento», já depois de ter negado o pagamento no dia anterior, durante o debate quinzenal, perante uma uma pergunta feita pela bancada bloquista. Entretanto, o primeiro-ministro pediu desculpa ao partido pela informação errada.
Mário Centeno, por sua vez, assegurou que a transferência «não foi à revelia». O ministro das Finanças, que falava esta quarta-feira no Parlamento, sublinhou que «não há nenhuma decisão do Governo que não passe por uma decisão conjunta do Conselho de Ministros» e que «a ficha de apoio ao senhor primeiro-ministro chegou com um par de horas de atraso e o senhor primeiro-ministro, quando deu a resposta que deu, não tinha à frente dele a informação actualizada».
Também nesta quarta-feira, O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, criticou a nova injecção de capital no Novo Banco, uma vez que «há uma auditoria que tinha sido anunciada que estaria concluída em Maio deste ano». «O senhor primeiro-ministro esteve muito bem no Parlamento quando disse que fazia sentido que o Estado cumprisse as suas responsabilidades, mas naturalmente se conhecesse previamente a conclusão a auditoria», afirmou.
*Notícia actualizada às 18:08












