Gripe aviária: por onde se está a espalhar pelo mundo?

A gripe aviária tem deixado as autoridades de saúde pública em alerta após uma propagação sem precedentes em vacas leiteiras nos Estados Unidos em 2024: já foram registados quatro testes positivos no país entre trabalhadores do setor leiteiro.

Desde 2020 que se tem espalhado pelo mundo uma variante particularmente grave da estirpe H5N1, causando surtos letais em aves comerciais e infeções esporádicas noutras espécies, desde alpacas a gatos domésticos: no entanto, até este ano, nunca havia infetado vacas.

Foram encontradas na Austrália e no México diferentes variantes da gripe aviária, ao passo que há diferentes subtipos H5 também estão presentes em todo o mundo, tanto em animais como em humanos, em países como China e Camboja – na maioria dos casos humanos, foi relatada exposição a aves de capoeira, mercados de aves vivas ou gado leiteiro antes da infeção.

No entanto, os cientistas estão preocupados que o vírus possa sofrer mutações que o tornem mais facilmente disseminável entre pessoas, o que poderia desencadear uma pandemia – a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o risco para as pessoas é baixo neste momento.

Estados Unidos

Os primeiros casos positivos conhecidos de gado leiteiro ocorreram no Texas em março último, e agora estão em manadas de 12 estados. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, os testes até agora indicam que o vírus detetado nas vacas é o mesmo vírus H5N1 que afeta aves selvagens e comerciais. Os quatro trabalhadores do setor leiteiro que testaram positivo para o vírus este ano apresentaram sintomas leves, como conjuntivite. O vírus H5N1 nos Estados Unidos pertence ao clado 2.3.4.4b, genótipo B3.13, um genótipo detetado apenas na América do Norte até ao momento, revelou a Agência Europeia de Segurança Alimentar.

México

Um residente do México morreu naquele que foi um dos primeiros casos conhecidos de gripe aviária H5N2 em humanos, informou a OMS a 5 de junho. De acordo com o Governo mexicano, foi uma doença crónica, e não a gripe aviária, a causa da morte: a pessoa em questão não teve exposição conhecida a animais.

Austrália

Segundo a OMS, a 7 de junho, uma criança com gripe aviária H5N1 na Austrália viajou para Calcutá (Índia): o sequenciamento genético mostrou que o vírus era um subtipo do H5N1 e parte de uma variante que circula no Sudeste Asiático – foi detetada em humanos e em aves.

A Austrália lida separadamente com três surtos de diferentes variantes do vírus em quintas agrícolas – H7N3, H7N8 e H7N9 – que, de acordo com as autoridades, chegaram às quintas através de aves selvagens.

Índia

A OMS relatou, a 11 de junho último, um caso de infeção humana causada pelo subtipo H9N2 numa criança de 4 anos no estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia. Foi a segunda infeção humana na Índia, após um caso em 2019. Embora o vírus H9N2 tenda normalmente a causar doenças ligeiras, a agência da ONU já alertou que poderão ocorrer mais casos humanos esporádicos, uma vez que este é um dos vírus mais prevalentes que circulam em aves de capoeira em diferentes regiões.

Vietname

Um estudante de 21 anos morreu de gripe aviária H5N1 em março último – não tinha condições médicas subjacentes, mas havia sido exposto a aves selvagens durante a caça umas semanas antes do início dos sintomas. O Vietname relatou igualmente um surto de H9N2 num homem de 37 anos.

Camboja

Até 20 de junho, a nação do Sudeste Asiático e vizinhos do Vietname relatou cinco casos humanos de H5N1.

China

A China detetou este ano casos humanos causados ​​pelas variantes H5N6, H9N2 e H10N3, com dois casos fatais de H5N6 na província de Fujian: em ambos os casos, houve exposição a aves domésticas antes do início dos sintomas.

Alemanha

A Alemanha relatou um raro surto de gripe aviária H7N5 altamente patogénica numa quinta na parte ocidental do país, perto da fronteira com os Países Baixos, indicou a OMS, no passado dia 4 – foi o primeiro surto de H7N5 em qualquer lugar no WOAH (Organização Mundial da Saúde Animal).

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