Funcionários do BCE estão em “burnout” e com “pensamentos suicidas”

Um estudo independente, encomendado pelo comité de funcionários do Banco Central Europeu (BCE), revelou um aumento alarmante nos sintomas de esgotamento entre os funcionários desde 2021. A proporção de funcionários com pensamentos suicidas aumentou em 50% ao longo dos últimos quatro anos.

Representantes dos funcionários acusam a instituição de ignorar sinais de alerta e expor as suas políticas a erros devido ao esgotamento dos funcionários, revela o ‘Politico’.

Carlos Bowles, presidente do comité de funcionários, afirmou que o aumento nos pensamentos suicidas nos últimos quatro anos deve levar a que se levantem questões sobre a responsabilidade da liderança. Bowles destacou que o esgotamento pode induzir a uma má tomada de decisão, o que é preocupante para uma instituição cujas decisões impactam milhões de cidadãos europeus.

Utilizando a ferramenta de diagnóstico Oldenburg Burnout Inventory, a Psy@work descobriu que 38,9% dos participantes da pesquisa qualificaram-se para a categoria de burnout, relatando exaustão e desengajamento. Este número é 5 pontos percentuais superior ao registado na última pesquisa realizada em 2021. A parcela de pessoas com pensamentos suicidas aumentou de 6,1% em 2021 para 9,1%.

A pesquisa, realizada entre 11 de abril e 8 de maio, contou com a participação de 1.602 dos cerca de 4.600 funcionários do BCE.

A principal fonte de stress relatada por aqueles com sintomas de burnout foi a perceção de tratamento injusto no ambiente de trabalho. Quase todos os entrevistados com burnout mencionaram jogos de poder no BCE, e aproximadamente nove em cada 10 reclamaram de favoritismo. Mais de 60% dos entrevistados fora do grupo de burnout fizeram a mesma reclamação sobre favoritismo.

Bowles destacou que não se trata apenas de carga de trabalho, mas também de perceções de recrutamento e promoções fraudulentas, que levaram muitos colegas a desenvolver sintomas psicossomáticos e danos mentais. Sete em cada 10 funcionários na categoria de burnout relataram trabalhar horas extras regularmente.

O BCE não comentou sobre se está preocupado que os níveis atuais de esgotamento possam comprometer a capacidade do Banco de desempenhar suas funções de forma eficaz.

 

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