E agora Portugal? “Investir mais em infraestruturas essenciais para o país”: Afonso Almeida, Presidente de Direção da APLOG

Na sua opinião, quais deviam ser as prioridades do novo Governo em termos de reformas para que Portugal tenha um crescimento sustentável para o futuro?
O novo Governo terá enormes desafios pela frente. Questões como a saúde, habitação, educação, justiça, economia e combate à burocracia, entre outros, deverão ser prioridades no curto prazo.
O novo Governo deverá centrar-se em tomar medidas que promovam o crescimento, simplificando processos burocráticos que permitam às empresas serem mais produtivas e eficientes. A baixa de IRS e IRC de forma gradual, deverá ser uma mensagem para os portugueses e também para o mercado interno e externo, de modo a que potenciais investidores vejam um sinal de mudança, uma estratégia clara, e uma maior confiança para apostar de forma consistente no nosso país.

O novo Governo deverá investir mais em infra-estruturas essenciais para o País, nomeadamente na questão da habitação pública, quer seja em novas habitações, quer seja em centenas de imóveis de entidades públicas que se encontram fechados e a precisar de reabilitação.
Deverá também dar prioridade à reforma da administração pública, investindo cada vez mais nas novas tecnologias, permitindo ganhos de eficiência em toda a sua estrutura.
O novo Governo deverá tomar medidas para reter nomeadamente os jovens portugueses qualificados a acreditar e a decidirem que vale a pena continuar a trabalhar em Portugal. Para isso serão necessárias diversas medidas entre as quais uma redução dos impostos e medidas de incentivo como por exemplo para a eliminação de IMT e para a compra da primeira habitação.
É preciso apostar mais na iniciativa privada, reduzindo a presença do estado na economia, tomando medidas para que
as empresas possam cada vez mais apostar na internacionalização, aumentando assim as exportações.

Atendendo ao actual contexto, que expectativas a nível macroeconómico para Portugal?
Para Portugal é muito importante que a inflação estabilize novamente e que as taxas de juro voltem a descer de forma gradual de modo a não penalizar tanto o nosso estado, as empresas e as famílias.
É também fundamental que os conflitos existentes terminem o mais rápido possível no interesse de todos. Em termos macroeconómicos é muito relevante que os custos energéticos possam manter-se e se possível baixarem, pois sendo Portugal um país totalmente dependente do exterior destes recursos energéticos, a sua estabilização permitirá reduzir a factura ao estado, às empresas e às famílias.
Com a estabilização dos custos energéticos e da inflação, as matérias-primas também terão tendência em estabilizar os seus custos e respectivos preços no mercado global, dos quais Portugal é dependente em grande parte.
É também importante que a economia em geral não entre em recessão acentuada, nomeadamente os países europeus que são os maiores importadores de produtos feitos em Portugal. Caso este facto ocorra, as exportações portuguesas não poderão continuar a manter a tendência de crescimento ocorrida nos últimos anos.
Face a todos estes factores, é crítico que Portugal tome as melhores decisões e faça a escolhas certas em termos de prioridades de investimento e das medidas a tomar, não esquecendo que o nosso país não é rico e tem uma dívida ainda muito significativa.

E quais são as expectativas para o seu sector?
As expectativas para o sector da logística são positivas, estando dependentes do crescimento do País e das empresas. Questões relacionadas com os problemas no Mar Vermelho poderão ter um impacto negativo na cadeia de abastecimento em termos de custos e timings de entrega.
As exportações têm também um papel fundamental para muitas empresas portuguesas. Dependendo do aumento das exportações, o volume de negócios no sector da logística poderá aumentar de forma significativa, quer seja na parte rodoviária, ferroviária ou marítima.
Questões como o PRR, o turismo, entre outras actividades, espera-se que tenham um forte impacto no crescimento da actividade logística em Portugal.
As expectativas para o sector da logística passam por desafios que tentamos descrever alguns dos que consideramos mais relevantes:

  • Aeroporto de Lisboa: É urgente que seja tomada uma decisão durante o ano em curso e que a mesma seja a mais racional para o interesse do País.
  • Rede ferroviária: É importante que o transporte de passageiros possa ser mais sustentável e com mais opções, no-
    meadamente com a implementação da ligação do TGV entre Lisboa e Porto, mas também na ligação de Lisboa a Madrid. É no transporte de mercadorias que a via-férrea mais pode ajudar a tornar o transporte de longa distância mais eficiente e sustentável de um ponto de vista económico e ambiental. A ligação férrea entre as principais cidades e infra-estruturas ibéricas é fundamental para a competitividade dos portos portugueses.
  • Frotas: Actualização e renovação de frotas com vista a uma transição carbónica em linha com os objectivos europeus e nacionais.
  • Mobilidade urbana: Implementar novas regras de mobilidade urbana nomeadamente em Lisboa e Porto que permitam a redução do número de viaturas a fazer entregas e correspondente redução da poluição. A implementação de Hub’s nas cidades será um dos caminhos para o sucesso desta questão, reduzindo o número de viaturas a fazer distribuição dentro da cidade.
  • Redução de emissões: O sector dos transportes continua a ser um dos principais sectores responsáveis pela emissão de gases nocivos ao meio ambiente. Muito se fala de transição de frotas e combustíveis alternativos. A mobilidade com combustíveis alternativos é hoje um caminho em marcha, mas ainda com diversos factores que o tornam menos competitivo que os combustíveis fósseis. É necessário continuar a fazer o caminho da descarbonização.
  • Ausência de mão de obra: O sector da logística e transportes tem sido dos que mais tem adoptado novas tecnologias, e também dos sectores que mais emprego tem criado. A falta de mão-de-obra é algo generalizado e aplica-se, quer a funções mais qualificadas, quer a funções mais indiferenciadas. O exemplo específico dos motoristas é muito preocupante. Um tema da maior relevância, face à concorrência com outros países com salários mais elevados e que cria desafios muitos complicados às empresas do sector.
  • Inteligência artificial: As ferramentas de inteligência artificial são cada vez mais utilizadas no sector da logística e transportes. Estas ferramentas permitem grandes aumentos de eficiência operacional e redução de custos significativas.
    Este é claramente o caminho para o futuro e também para o sector da logística.