Da Euribor à inflação: O que esperar da economia em 2025?

Com 2025 a aproximar-se, o panorama económico global enfrenta um momento de redefinição e ajuste. Após um período marcado pela recuperação pós-pandemia e pela volatilidade dos mercados, o próximo ano reserva novos desafios e oportunidades que exigem uma análise cuidada.

Executive Digest
Dezembro 31, 2024
8:30

Com 2025 a aproximar-se, o panorama económico global enfrenta um momento de redefinição e ajuste. Após um período marcado pela recuperação pós-pandemia e pela volatilidade dos mercados, o próximo ano reserva novos desafios e oportunidades que exigem uma análise cuidada.

A Euribor, após a recente decisão do Banco Central Europeu (BCE) de reduzir as suas taxas, iniciou uma tendência de descida, o que representa um alívio para muitos titulares de crédito à habitação. João Pereira, CEO da Gestlifes, afirma que, “no nosso entender e considerando o histórico da taxa Euribor, prevemos continuar numa trajetória decrescente da mesma”. No entanto, alerta que “não podemos esperar por taxas negativas, a não ser que algum fator de força maior assim o faça acontecer. Existem taxas de referência estipuladas pelo BCE e valores mínimos a serem salvaguardados”.



O especialista prevê ainda que, com esta trajetória decrescente e futura estabilização da taxa, haverá impactos positivos no crédito à habitação, incluindo “redução das prestações mensais; condições favoráveis para novas contratações de crédito habitação; e abertura a um maior número de clientes que pretendam adquirir imóvel, o que criará um estímulo no mercado imobiliário devido ao fator da procura.”

Vítor Madeira, analista da XTB, partilha da mesma visão e espera que a Euribor continue a descer à medida que se prevê que as taxas de juro de referência do BCE também desçam. “O mercado interno bancário da Euribor reflete as perspetivas do mercado e tenta antecipar os movimentos da política monetária por parte do BCE”.

Em relação à inflação, Vítor Madeira explica que esta tem mostrado uma tendência descendente na Europa, embora a inflação subjacente ainda se mantenha elevada em comparação com o objetivo do BCE. “As perspectivas macroeconómicas negativas na Europa têm colocado mais pressão descendente sobre os preços, podendo o objetivo ser atingido mais rapidamente. Assim, a previsão é para que o BCE continue a baixar as taxas de juro até março de 2025”, explica. Este cenário pode trazer benefícios para as famílias, que terão um “alívio monetário, já que irão pagar menos com os seus créditos. Isto proporciona às famílias aumentos no rendimento disponível que podem ser canalizados para o consumo, poupança ou investimento.”

João Pereira alerta, contudo, para algumas incertezas em 2025 devido à volatilidade do mercado. “Poderemos aproximar-nos dos níveis considerados normais ‘pelos entendidos’, a rondar os 2%.” A estabilização da inflação estará ligada à decisão do BCE em manter a estabilidade das taxas de juro, estimulando o crescimento económico. Pereira sublinha que, para as famílias, “um impacto positivo será a redução das prestações mensais nas suas responsabilidades de crédito, o que impulsionará o poder de compra e o acesso a novos créditos.”

Os conflitos geopolíticos continuam a influenciar os mercados financeiros. João Pereira explica que uma das formas como os conflitos afetam a economia é através de flutuações nos mercados de investimento, dado que “os investidores reagem muitas das vezes de forma impulsiva às notícias e eventos, o que se traduz em mudanças imediatas nos preços das ações e nas taxas de câmbio.” A desaceleração do crescimento económico, prevê ele, deve continuar a sentir-se.

Além disso, as subidas de preços de bens essenciais, como o gás e o petróleo, podem ser uma constante em 2025. Os conflitos geopolíticos também têm levado os bancos a adotar “medidas monetárias conservadoras, devido às incertezas em relação ao futuro.” Vítor Madeira, analista da XTB, afirma que, apesar de os conflitos geopolíticos parecerem “mais calmos, a sua influência nos mercados financeiros é quase inexistente, com a exceção do ouro que continua a subir atingindo máximos históricos, refletindo que existe ainda algum risco geopolítico para os mercados financeiros.”

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