Coreia do Norte e EUA “ultrapassaram as linhas vermelhas” com exercícios militares. Irmã de Kim Jong-un alerta para “terrível desastre” como consequência

As tensões na Península Coreana intensificaram-se após Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, criticar veementemente os exercícios militares conjuntos recentes realizados por Seul e Washington nas proximidades da fronteira intercoreana. Em comunicado divulgado no domingo, Kim Yo Jong afirmou que os aliados “cruzaram a linha vermelha” com estas ações.

As relações entre as duas Coreias encontram-se no seu ponto mais instável em décadas. A Coreia do Sul tem condenado os lançamentos de mísseis do regime de Kim Jong-un, enquanto Pyongyang acusa Seul de realizar exercícios militares provocativos em conjunto com os Estados Unidos. A situação é agravada pelo comércio de armas entre a Rússia e a Coreia do Norte, bem como por um novo tratado militar mútuo.

Kim Yo Jong criticou a retoma dos exercícios de fogo real pela Coreia do Sul, realizados nas últimas semanas, tanto perto da fronteira terrestre como no Mar Amarelo, perto da fronteira marítima de facto, qualificando-os como “imprudentes” e “suicidas”. Ela alertou que a Coreia do Sul sofreria “um terrível desastre” como consequência destas ações.

Kim também criticou o exercício Freedom Edge, realizado no mês passado, que envolveu pela primeira vez exercícios militares conjuntos multidimensionais entre os EUA, a Coreia do Sul e o Japão, classificando-o como “o auge da histeria confrontacional” contra a Coreia do Norte.

Segundo o Comando Indo-Pacífico dos EUA, este exercício reflete a determinação dos países participantes em aumentar a interoperabilidade e “proteger a liberdade para a paz e a estabilidade” na Península Coreana e na região do Indo-Pacífico.

No seu inflamado comunicado, Kim Yo Jong também criticou o Presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, acusando-o de escalar as tensões com o Norte para desviar a atenção das “crises” internas do seu país. Ela destacou que uma petição online, exigindo a destituição de Yoon, já recolheu mais de um milhão de assinaturas.

O Exército sul-coreano declarou em comunicado que conduziu treinos de artilharia a cerca de cinco quilómetros da Linha de Demarcação Militar, com o objetivo de melhorar “as capacidades de resposta e a prontidão de fogo” perante possíveis provocações norte-coreanas.

O exercício ocorreu um dia após o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul relatar que a Coreia do Norte tinha disparado dois mísseis balísticos de curto alcance, possivelmente em resposta ao exercício Freedom Edge. Seul afirmou que um dos mísseis caiu na costa norte-coreana no Mar do Japão, enquanto o outro poderá ter impactado perto da capital, Pyongyang.

No mês passado, as forças sul-coreanas retomaram os exercícios de fogo real perto da fronteira não oficial que separa as águas controladas pelo Norte e pelo Sul no Mar Amarelo. O treino seguiu-se ao lançamento de um míssil hipersónico suspeito pela Coreia do Norte, que Seul afirmou ter explodido em pleno voo sobre o Mar do Japão.

Os exercícios de fogo real da Coreia do Sul foram os primeiros na área desde 2018, quando as Coreias assinaram um acordo para proibir tais atividades ao longo da fronteira, a fim de reduzir as tensões. Ambos os países anunciaram a suspensão deste pacto nos últimos meses, sinalizando um aumento nas hostilidades e a deterioração das tentativas de pacificação.

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