Com a descida de juros no horizonte, “poderemos assistir a uma recuperação na procura por imóveis”, diz o CEO da Portugal Sotheby’s

Num ano marcado por um elevado número de eleições que vão chamar às urnas mais de metade da população mundial, estes atos eleitorais têm impacto no mercado imobiliário, apesar de ser menor do que a subida das taxas de juro.

“Quando divulgámos o Luxury Outlook 2024 em janeiro, havia uma expectativa de que haveria várias reduções das taxas de juros nos EUA em 2024, com base em indicações dadas pela Reserva Federal dos EUA (Fed). A descida dos juros poderia desbloquear o stock de imóveis, porque taxas mais baixas tornariam os pagamentos mensais das hipotecas mais acessíveis, permitindo o regresso ao mercado de potenciais compradores”, lembra Bradley Nelson, Chief Marketing Officer da Sotheby’s International Realty.

A nova edição do Luxury Report Intercalar da da Sotheby’s International Realty. mostra que, apesar de as taxas ainda não terem descido nos EUA, “não quer dizer que o mercado imobiliário de luxo estagnou”. A expectativa é de que a Fed possa começar a descer os juros até ao final do ano, acompanhando um movimento que já se regista noutras geografias como é o caso da Zona Euro onde o Banco Central Europeu anunciou em junho um primeiro corte.

Na Europa, com os juros elevados, assistiu-se a um ligeiro alívio nos preços, de 0,3% na Zona Euro e de 1,1% na União Europeia em 2023, variações que englobam as quebras de 7,1% na Alemanha, fruto do abrandamento económico, mas também subidas em economias que continuaram a apresentar ritmos de crescimento mais elevados, casos da Bulgária (10,1%), Croácia (9,5%), Lituânia (8,3%), Polónia (13%), e Portugal (7,78%).

Com a descida de juros no horizonte, “poderemos assistir a uma recuperação na procura por imóveis, tanto por parte das famílias como por parte dos investidores, ambos sensíveis aos ciclos de política monetária”, refere Miguel Poisson. “Esta recuperação do lado da procura registar-se-á num contexto que é ainda de reduzida oferta, o que tenderá a traduzir-se em preços mais elevados no imobiliário residencial como um todo”, acrescenta o CEO da Portugal Sotheby’s International Realty. O segmento de luxo tenderá a destacar-se, antecipando-se por isso um mercado mais vibrante nos próximos meses.

Os especialistas da Sotheby’s acreditam que a redução das taxas de juros tenderá a tornar o imobiliário uma opção mais atrativa para estes compradores mais abastados, nomeadamente para aqueles que procuram rentabilidade a longo prazo. E estes investidores estarão compradores de imóveis de luxo um pouco por todo o mundo, ditando um aumento dos preços neste segmento em que a Sotheby’s International Realty é líder.

“Agora é um bom momento para comprar uma casa de luxo”, aconselhava, em abril, o  banco de investimento o J.P. Morgan Private Bank, antecipando a mudança de paradigma.

“O momento [para comprar uma casa de luxo] é agora se estiver a olhar para o longo prazo”, diz Sam Jenkins, Vice Presidente de Vendas na Jameson Sotheby’s International Realty, em Chicago, Illinois, nos EUA. “Na próxima Primavera poderá ser novamente um frenesim, com múltiplas ofertas e muitos compradores à espera”, acrescenta no Luxury Report Intercalar.

“O que vimos durante a pandemia continua a ser verdade: os compradores querem casas maiores e, muitas vezes, estas estão fora dos centros urbanos”, nota o Presidente e CEO da Sotheby’s International Realty, Philip A. White Jr., sublinhando o impacto que esta migração dos compradores tem em cidades de menor dimensão. Os preços já não são o que eram antes da pandemia, mas continuam a permitir comprar imóveis de luxo a preços atrativos face aos que se praticam nas metrópoles.

 

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